16 abril 2014

Desmundâncias - de Sérgio Ramos




Desmundâncias

Há qualquer coisa de tempo
No arregaçamento das coisas
Que é preciso ser gente
Para não ver

Aliás, gente só é gente
Porque não vê essas extravagâncias.
O rio que leva as coisas
Para uma espécie de luxúria de liberdades
É coisa para vesgos...
Ou para peixes.

Uma vez aconteceu em Rosa
De ter um riachinho
Que atordoou tanto as palavras
Que elas se desfizeram em formigas.

Lá onde o vento deságua em assobio
As curvas do mundo
Precipitam as desmundâncias.

Nenhum olhar com regências por trás
Chega lá.





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