12 abril 2021

OS LOUCOS DA VACINA

 

 


OS LOUCOS DA VACINA

 

Cercados de pessoas com medo, tédio, sem perspectiva, retirados da vida social, pensando em evitar sermos “contaminados e contaminadores”, favorecidos pela aposentadoria, comprometidos com a sobrevivência dos que nos cerca, mantendo os pagamentos da fisioterapia, ginástica, natação, faxina etc, vivemos centrados e concentrados no cuidado com a saúde física, mental e emocional da família. Meditação, arte, música, leituras, conversas com as crianças e as célebres aulas virtuais que reinventam as horas.  Cerca de 377 dias se passaram, com momentos de retorno às atividades individuais de exercícios, algumas poucas idas ao dentista por ter quebrado um dente e uma ida ao oculista por conta de já não conseguir enfiar a agulha de costura até que a vacina do COVID chegou!

Como os mais velhos têm prioridade e nem somos os mais, mais, mais velhos, demorou um pouco, mas chegou.  E de certa forma  as filas de espera por causa das idades diferentes entre o casal deram para se divertir. As conversas mais diversas eram escutadas durante a espera. De pessoas reclamando da demora a outras se sentindo privilegiadas, outras chateadas por terem que ficar um tempo em abstinência de álcool (recomendado pelos vacinadores) e  algumas inseguras se passariam mal. Claro que sempre há os que fazem piadas e implicam com os amigos. “puxa, não veio no seu dia para não dar bandeira da idade, né? Mas podia esperar mais uns dias, ... seu cabelo ainda é preto!” E nitidamente o amigo pinta o cabelo visto que a sobrancelha é bem branca e os pelos do braço também... Bom que o amigo não levou a ferro e fogo e deu uma risada. Deve ser uma brincadeira comum entre vizinhos. Outro recomendou à acompanhante da senhora que vacinou: não esquece de por tranca na cozinha para ela não pegar cerveja na geladeira!  E comentou baixinho, esta a gente conhece bem. E claro que não faltou a piadinha do jacaré, dos rabinhos aparecendo da mudança de cor da pele.

No dia da vacina do marido, fui acompanhando para documentar, visto que a espera era grande.  Era dia de defesa de tese de uma amiga recente e lá fui eu de celular em punho vendo a exposição encantadora. Claro que a internet caiu umas duas vezes e dentro do prédio onde realmente injetavam a vacina interrompeu-se a comunicação. Aproveitei para documentar a vacinação e saí enviando para filhos e amigos que solicitaram o registro.... mas aí quem não se conectou mais foi o celular que ficou sem bateria. Sem poder escutar a amiga, voltei a  prestar atenção no entorno e escutei uma senhorinha bem velhinha mesmo, acompanhada pelo filho dizendo: “com esta segunda dose vocês não me pegam mais em casa!” “Vou mesmo é cair na esbórnia!” E eu comigo : que será que ela considera esbórnia? Só rindo, pois ela falava sério.

                      Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

                       Escreve às segundas feiras

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