A BAGAGEM
Há coisas
que carregamos até mesmo sem nos darmos conta. É a nossa bagagem tão costumeira
que nem valorizamos nem mesmo reparamos. E se olharmos o que vai nesta bagagem
podemos dar valor a alguns artigos e retirarmos outros que nem sabemos como
foram parar ali: são peso desnecessário. Uma sábia mulher do povo, semianalfabeta,
questionou a vizinha cansada. Que você carrega de tanto peso assim? Faz tempo
que não vejo um sorriso na sua boca!
Pasma a vizinha parou de caminhar e olhou com
olhos tristes e marejados para a velha senhora, cheia de rugas e com falhas de
dentes no sorriso. Não sabia responder! Corria tanto para tanta coisa!... A
velha ampliou o sorriso e deu uma negaceada com a cabeça, falou mansinho: você
via que lua linda estava ontem? Aí os olhos transbordaram e escorreram. Fazia
muito tempo que a pobre nem olhava pro céu! A velha se aproximou e afagou a mão
da vizinha: Ah, minha filha, larga este saco pesado e põe na bagagem roupa
limpa e perfume. Carrega tristeza não! Olha pra lua, e brinca de nuvens, seus
pés não vão tropeçar, e seu caminhar ficará agradecido. A gente morre de todo
jeito, mas pode viver melhor. A velha ficou olhando calorosamente a vizinha que
aos poucos apresentou um olhar menos aflito e triste. E sem uma palavra saiu mais
livre no seu caminho, deixando a velha a cantarolar.
Maria Lúcia
futuro Mühlbauer

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