UM RISCO NA PAREDE
Sabia que era reconhecido como um excelente
muralista. Seus trabalhos estavam em grandes paredes de repartições públicas,
escolas, fábricas, salões de encontros. Tinha pintado para museus, e exposições
em vários lugares bem distantes de sua terra.
Agora o desafio era concluir o trabalho que aceitou na própria cidade. A
administração do centro cultural municipal havia convidado o famoso “filho da
terra” para cobrir a parede de 10 metros
de largura por 5 de altura com sua arte.
Estava agoniado. Em casa... como fazer um
trabalho com tintas, pincéis, rolos vassouras e escadas? A imagem ia e vinha na
cabeça, mas ainda não chegara ao coração. O coração estava povoado de receio,
bloqueado! Toda vida sentiu o chamado de
uma parede branca, mas foi fora de casa que sua expressão artística se fez
realmente. Sua arte era sua saúde mental, sua libido, realmente sua força
vital. Mas agora o desafio seria ultrapassar a voz que gritava dentro e fora da
sua cabeça:
“- Outro risco na parede? QUEM FOOOOOI?”
Maria Lúcia futuro Mühlbauer

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