OFERTA E GANHO
Como saber se vale a pena? Ofereceram um emprego com “garantias”
de carteira assinada depois da fase de experiência. Segurança relativa no
trabalho, mas salário estável por um ano pelo menos... salário básico da
categoria, com alguns descontos, horário fixo e direito a vale transporte. Estava
com contrato provisório sem carteira assinada, pagando o próprio pano de
aposentadoria, com horário atrelado a projetos e salário com comissão ao fim
dos projetos. Nenhuma garantia, segundo a mãe, nenhum horário fixo. Sem
remuneração por horas extras e sem facilidade de continuar estudando, mas com
aprendizagem durante o trabalho pois a equipe era muito interessante e de
formação variada.
Ó dúvida, dúvida cruel, manter este trabalho por mais tempo,
aprendendo, com remuneração flutuante e sem possibilidade de estudar ou assumir
um emprego, ganho e horário fixo, com condição de assumir curso noturno?
Negar esta oferta de emprego e contar com a sorte de em um
ano conseguir outra oportunidade ou pegar no considerado seguro e investir num
curso formal com certificado? A oferta de emprego acenava com menores
possibilidades de contatos com equipe multidisciplinar, mas com um possível
plano de carreira SE concluísse sua formação profissional paralisada no final
do curso técnico de edificação. Com um acidente doméstico seu pai havia sido
aposentado precocemente e agora apenas podia fazer pequenos serviços manuais.
Focar em emprego de tempo parcial pareceu a solução num primeiro momento, mas
mostrou-se inviável. Deixou a escola técnica no final do urso e foi trabalhar
como um faz quase tudo numa equipe de engenharia responsável por projetos de
recuperação de prédios. No último ano havia aprendido muito pois além dos
engenheiros e técnicos de obra, ajudaram a arquitetos de restauro, arqueólogos
e especialistas de variadas formações na organização dos dados levantados em
dois projetos de recuperação e restauro em uma casa antiga tombada pela
prefeitura da cidade e numa igreja que faria parte de um parque histórico numa
pequena cidade mineira. Chegou a visitar o local duas vezes mas de tanto
organizar dados e documentos, fotos e plantas dos dois projetos parecia que
estava dentro dos prédios. Realmente o seu tempo passava rapidamente neste
trabalho. Dinheiro por dinheiro... pouca diferença ia fazer, segurança talvez a
carteira assinada desse esta ilusão (quem garante o que nestes tempo atuais?).
O tempo para estudar é que fazia a diferença. Estudo formal de técnico e um
aprofundamento específico em restauração mais adiante? Isto encantava seus
olhos, mas deixar este trabalho pesava no seu coração. Segurança e formação com
possibilidade de melhorar na carreira ou aprendizado livre e não passar de
ajudante de projeto? Assumir mais um ano? Assumir mais dois anos? Ou assumira
incerteza de que depois de “formado” poderia ter outras escolhas e
oportunidades? Sentia-se como numa
escada que dava numa parede... será que depois dali tinha outro lugar para
subir? Oferta ou ganho... ou oferta e ganho.... se sentia pressionado por
dentro e pelo entorno. Um sinal! Ó
Universo, precisava de um sinal!!!
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer
Escreve às segundas feiras

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