02 outubro 2023

E HOUVE AQUELA VEZ QUE...

   

 
                                                                                     Aqui não é pé de caju... é de abacate!!!!

E HOUVE AQUELA VEZ QUE...

E houve aquela vez que o Zeca desafiou, todos os que estavam no quintal, a subirem no último galho do pé de caju.

E lá foi ele. Primeiro pediu para o Guto ficar de quatro para servir de degrau e ele poder alcançar um galho de apoio: Aí, Augusto, ajuda né?!” Quando pegou o galho com firmeza, fechou os pés ao redor do tronco e foi se apoiando e subindo: “Quem quiser subir no outro vem!”  Mas o Guto já tinha se posto de pé que servir de degrau pra todos mão era do seu interesse.

E foi Zeca subindo. Nem era pra pegar caju que só tinha flor no pé e nenhum caju maduro. Pisava na forquilha que nos galhos mais finos perigava de quebrar. Mesmo assim quebrou uns dois ou três  antes de chegar onde afinava bem o tronco. Embaixo a torcida se misturava com medo dele cair  e querer vê no topo. Subir em goiabeira era muito mais seguro... cajueiro...

O Marcos e o Zinho debandaram para  o jogo de bola. Ficamos  Guto, Lico, Marina e , meio que cuidando dos movimentos meio com vontade de subir. Zeca se sentia o máximo subindo e subindo. A gente orientado para ele pisar nos galhos mais robustos e com medo dele quebrar os pequenos e cair.

Marina ficou cansada e se afastou. Acompanhamos ela ir embora até o Lico gritar assustado. Zeca estava se arriscando  subindo para além dos galhos grossos... mais um galho quebrado! Estava no meio da folhagem. De baixo não se conseguia saber exatamente o que acontecia. Ele se puxava e esperneava e não saia do lugar, ou melhor, saia e voltava, os galhos balançando e algumas folhas caindo. Lico gritou: “Zeca, ta arrancando folhas verdes? Faz isto não!!”

Demorou um tempo para que a situação fosse realmente percebida. Zeca não conseguia subir mais e não conseguia descer.  Lico gritou de novo: “Zeca, tudo bem? Está com medo de descer?” Como não se escutava nada vindo de cima, o Guto resolveu subir nas costas do Lico e ir resgatar o irmão, Guto era sempre quem tomava estas iniciativas de salvar os outros. No caso,  conseguiu alcançar o galho que permitia o início da subida. Subiu cautelosamente. Ele era um pouco maior que o Zeca  embora fosse mais novo. Parou no meio da subida e gritou: “ Acho melhor chamar o papai! O caso aqui tem que ter alguém bem grande.”

Lico começou a chorar de  medo e eu fui correndo e gritando por socorro. D. Helena saiu na porta da cozinha querendo saber o que havia. As outras crianças voltaram, para baixo do cajueiro. Lico apavorado, sem nem mesmo saber exatamente o motivo do pedido de socorro, dobrou o choro  e o choro contaminou Marina,. D. Helena veio com uma escada enxugando as mãos no avental. Antes de chamar outra pessoa ela ia tentar resolver.

Guto não subia mais. Zeca , a esta altura estava de cabeça para baixo. D. Helena não alcançava o Zeca. Apoiou a escada em outra posição do tronco e subiu até a metade da altura que estava o Guto levando uma corda e começou a organizar a descida dos dois.

“Guto, você consegue alcançar o Zeca?

Zeca, você está bem? O que há que você não desce?”

 Zeca calado.... até um momento que resmungou “não dá pra descer”

“Zeca, você se machucou?” A resposta foi um resmungo, mas como não chorava...

Guto tentou levar a corda até o Zeca. A idéia era amarrar na cintura e ir descendo com ele pendurado. Ah, mas os galhos finos onde Zeca havia se embrenhado não suportavam Guto.

“Marina, você, que é pequena e leve, pode subir pela escada para tentar passar a corda pela barriga do seu primo?” Marina respirou fundo, parou com o choro e foi até a metade do caminho. Aí Zeca falou por fim: “nem adianta, ela não vai conseguir me tirar daqui. Mãe, é que estou enganchado. Teve um galho que entrou na minha perna e saiu no cinto. Não tenho como me apoiar para subir e nem me soltar para descer... melhor chamar o pai que tem força pra me soltar ou me baixar pendurado mesmo ... ou serrar o galho.

Marina deu de rir, Guto desceu ligeirinho, Lico correu aos berros chamando Seu Carlos, e o caso virou história.

 

 

                                                                                                 Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

                                                                                                                  Escreve às segundas feiras

 

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