E HOUVE AQUELA VEZ
QUE...
E houve aquela vez que o Zeca desafiou, todos os que estavam
no quintal, a subirem no último galho do pé de caju.
E lá foi ele. Primeiro pediu para o Guto ficar de quatro para
servir de degrau e ele poder alcançar um galho de apoio: Aí, Augusto, ajuda
né?!” Quando pegou o galho com firmeza, fechou os pés ao redor do tronco e foi
se apoiando e subindo: “Quem quiser subir no outro vem!” Mas o Guto já tinha se posto de pé que servir
de degrau pra todos mão era do seu interesse.
E foi Zeca subindo. Nem era pra pegar caju que só tinha flor
no pé e nenhum caju maduro. Pisava na forquilha que nos galhos mais finos
perigava de quebrar. Mesmo assim quebrou uns dois ou três antes de chegar onde afinava bem o tronco.
Embaixo a torcida se misturava com medo dele cair e querer vê no topo. Subir em goiabeira era
muito mais seguro... cajueiro...
O Marcos e o Zinho debandaram para o jogo de bola. Ficamos Guto, Lico, Marina e , meio que cuidando dos
movimentos meio com vontade de subir. Zeca se sentia o máximo subindo e
subindo. A gente orientado para ele pisar nos galhos mais robustos e com medo
dele quebrar os pequenos e cair.
Marina ficou cansada e se afastou. Acompanhamos ela ir embora
até o Lico gritar assustado. Zeca estava se arriscando subindo para além dos galhos grossos... mais
um galho quebrado! Estava no meio da folhagem. De baixo não se conseguia saber
exatamente o que acontecia. Ele se puxava e esperneava e não saia do lugar, ou
melhor, saia e voltava, os galhos balançando e algumas folhas caindo. Lico
gritou: “Zeca, ta arrancando folhas verdes? Faz isto não!!”
Demorou um tempo para que a situação fosse realmente percebida.
Zeca não conseguia subir mais e não conseguia descer. Lico gritou de novo: “Zeca, tudo bem? Está
com medo de descer?” Como não se escutava nada vindo de cima, o Guto resolveu
subir nas costas do Lico e ir resgatar o irmão, Guto era sempre quem tomava
estas iniciativas de salvar os outros. No caso,
conseguiu alcançar o galho que permitia o início da subida. Subiu
cautelosamente. Ele era um pouco maior que o Zeca embora fosse mais novo. Parou no meio da
subida e gritou: “ Acho melhor chamar o papai! O caso aqui tem que ter alguém
bem grande.”
Lico começou a chorar de
medo e eu fui correndo e gritando por socorro. D. Helena saiu na porta
da cozinha querendo saber o que havia. As outras crianças voltaram, para baixo
do cajueiro. Lico apavorado, sem nem mesmo saber exatamente o motivo do pedido
de socorro, dobrou o choro e o choro
contaminou Marina,. D. Helena veio com uma escada enxugando as mãos no avental.
Antes de chamar outra pessoa ela ia tentar resolver.
Guto não subia mais. Zeca , a esta altura estava de cabeça
para baixo. D. Helena não alcançava o Zeca. Apoiou a escada em outra posição do
tronco e subiu até a metade da altura que estava o Guto levando uma corda e
começou a organizar a descida dos dois.
“Guto, você consegue alcançar o Zeca?
Zeca, você está bem? O que há que você não desce?”
Zeca calado.... até um
momento que resmungou “não dá pra descer”
“Zeca, você se machucou?” A resposta foi um resmungo, mas
como não chorava...
Guto tentou levar a corda até o Zeca. A idéia era amarrar na
cintura e ir descendo com ele pendurado. Ah, mas os galhos finos onde Zeca
havia se embrenhado não suportavam Guto.
“Marina, você, que é pequena e leve, pode subir pela escada
para tentar passar a corda pela barriga do seu primo?” Marina respirou fundo,
parou com o choro e foi até a metade do caminho. Aí Zeca falou por fim: “nem
adianta, ela não vai conseguir me tirar daqui. Mãe, é que estou enganchado.
Teve um galho que entrou na minha perna e saiu no cinto. Não tenho como me
apoiar para subir e nem me soltar para descer... melhor chamar o pai que tem
força pra me soltar ou me baixar pendurado mesmo ... ou serrar o galho.
Marina deu de rir, Guto desceu ligeirinho, Lico correu aos
berros chamando Seu Carlos, e o caso virou história.
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer
Escreve às segundas feiras

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