DIAS DE TESTE DE PACIÊNCIA
OU A PACIÊNCIA FOI PELO RALO
Marco foi assoviando para o
trabalho, num humor leve e tranquilo. No ponto do ônibus deu de cara com um
colega dos tempos de escola. Não lembrava o nome, mas não quis chamar pelo
apelido e disse apenas um oi! O outro fechou a cara e não responde. Marco deu
uns passo e voltou a assoviar baixinho. O ex-colega amarrou mais a cara: Está
feliz por qual motivo? Marco ficou com a boca em bico mas sem emitir som algum,
surpreso. Sorriu a seguir e ficou
realmente feliz de ver o transporte chegar! Sabe como é, pegar o ônibus logo
ao chegar no ponto é sorte! Bem... ou
azar se o companheiro de viagem era um emburrado.
Quase meia hora de pois, sem
poder nem respirar fundo, precisava pedir passagem para não perder o ponto de
descer. O ex colega na frente, fechando a passagem.. e fingindo não escutar o “dá licença”! Depois de repetir algumas vezes começou a se espremer no pequeno
vão empurrando pra sair. Já não sentia vontade de assoviar... E numa freada, mais brusca parecia um parto, esmigalhou-se e passou na pequena fenda entre os
corpos. Gritou que ia saltar e o motorista não escutou e seguiu. Desceu no
ponto depois da rua do trabalho e teve que caminhar bem rapidamente pra “bater
o ponto" sem atraso. Chegando ofegante ao setor, foi barrado pois estava sem a
camisa de trabalho. Até provar que sim, estava vestido e apenas usava uma blusa
de manga longa por cima... o chefe embarreirou e fez cara feia o suficiente
para que todo setor prestasse atenção nele.
Respirou fundo e seguiu seu dia. Intervalo de
almoço oficialmente era uma pausa, mas por conta dos minutos perdidos na
entrada o chefe pediu servicinho extra. Desta vez respirou fundo muitas vezes,
tinha comido uma fruta cedinho e queria comer sua marmita, mas isto só podia
ser feito no refeitório. Ficou sem almoço. Seu sorriso costumeiro e seu
assovia característico desaparecera. Uma colega desatenta derramou café na sua
prancha de trabalho e sujou seu desenho já em fase final. Chegou a iniciar um
impropério mas viu a coitada tão desolada que acabou dizendo que era nada. Mas claro
que ficou mais 2 horas para corrigir o desenho. Na volta para casa o ônibus
demorou tanto que resolveu andar até a estação de trem e seguir para fazer
conexão com o metro e andar uns 20 minutos até em casa.
Desceu do metro já noite escura e
iniciou-se uma chuvinha rala e fria. Pensou que a bronca da manhã do uniforme
havia valido a pena, ao menos estava menos exposto ao vento frio. Até voltou a
assoviar enquanto cruzava a venida para chegar em casa... mas um motorista
desatento ultrapassou o sinal em velocidade e atropelou o Marcos. Sorte não ter ferido gravemente. Num
teste de paciência ficou a noite toda sentado no pronto socorro esperando ser
examinado. Pela manhã saiu sujo, de braço engessado e sem nenhum bico nos
lábios formando um assovio. Nem passou em casa. Avisou que não ia e seguiu para
o trabalho pra apresentar o desenho ao chefe antes que o chefe perdesse a
paciência. Depois... quem sabe o dispensavam par tirar o dia!
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer
escreve às segundas feiras
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