14 julho 2025

DIAS DE TESTE DE PACIÊNCIA OU A PACIÊNCIA FOI PELO RALO

 

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DIAS DE TESTE DE PACIÊNCIA

 OU A PACIÊNCIA FOI PELO RALO 

Marco foi assoviando para o trabalho, num humor leve e tranquilo. No ponto do ônibus deu de cara com um colega dos tempos de escola. Não lembrava o nome, mas não quis chamar pelo apelido e disse apenas um oi! O outro fechou a cara e não responde. Marco deu uns passo e voltou a assoviar baixinho. O ex-colega amarrou mais a cara: Está feliz por qual motivo? Marco ficou com a boca em bico mas sem emitir som algum, surpreso. Sorriu  a seguir e ficou realmente feliz de ver o transporte chegar! Sabe como é, pegar o ônibus logo ao chegar no ponto é sorte!  Bem... ou azar se o companheiro de viagem era um emburrado.

Quase meia hora de pois, sem poder nem respirar fundo, precisava pedir passagem para não perder o ponto de descer. O ex colega na frente, fechando a passagem.. e fingindo não escutar o “dá licença”! Depois de repetir algumas vezes começou a se espremer no pequeno vão empurrando pra sair. Já não sentia vontade de assoviar... E numa freada, mais brusca parecia um parto, esmigalhou-se e passou na pequena fenda entre os corpos. Gritou que ia saltar e o motorista não escutou e seguiu. Desceu no ponto depois da rua do trabalho e teve que caminhar bem rapidamente pra “bater o ponto" sem atraso. Chegando ofegante ao setor, foi barrado pois estava sem a camisa de trabalho. Até provar que sim, estava vestido e apenas usava uma blusa de manga longa por cima... o chefe embarreirou e fez cara feia o suficiente para que todo setor prestasse atenção nele.

Respirou fundo e seguiu seu dia. Intervalo de almoço oficialmente era uma pausa, mas por conta dos minutos perdidos na entrada o chefe pediu servicinho extra. Desta vez respirou fundo muitas vezes, tinha comido uma fruta cedinho e queria comer sua marmita, mas isto só podia ser feito no refeitório. Ficou sem almoço. Seu sorriso costumeiro e seu assovia característico desaparecera. Uma colega desatenta derramou café na sua prancha de trabalho e sujou seu desenho já em fase final. Chegou a iniciar um impropério mas viu a coitada tão desolada que acabou dizendo que era nada. Mas claro que ficou mais 2 horas para corrigir o desenho. Na volta para casa o ônibus demorou tanto que resolveu andar até a estação de trem e seguir para fazer conexão com o metro e andar uns 20 minutos até em casa.

Desceu do metro já noite escura e iniciou-se uma chuvinha rala e fria. Pensou que a bronca da manhã do uniforme havia valido a pena, ao menos estava menos exposto ao vento frio. Até voltou a assoviar enquanto cruzava a venida para chegar em casa... mas um motorista desatento ultrapassou o sinal em velocidade e atropelou  o Marcos. Sorte não ter ferido gravemente. Num teste de paciência ficou a noite toda sentado no pronto socorro esperando ser examinado. Pela manhã saiu sujo, de braço engessado e sem nenhum bico nos lábios formando um assovio. Nem passou em casa. Avisou que não ia e seguiu para o trabalho pra apresentar o desenho ao chefe antes que o chefe perdesse a paciência. Depois... quem sabe o dispensavam par tirar o dia!


Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

escreve às segundas feiras

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