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| Bozo presidente, 2020. |
Ernande
Valentin do Prado
Não
um, não dois, mas alguns jornalistas viram no comportamento machista e
troglodita do Presidente Capitão de Milícias, quer dizer, do capitão de
artilharia, ao insultar e fazer piada com a Jornalista Patrícia Campos Mello,
uma tentativa de desviar o foco das atenções do caso da morte do miliciano
amigo da família, capitão Adriano.
Isso
dá o que pensar, no entanto, agir como troglodita não exige nenhuma esforça da
parte deste elemento, o contrario sim, agir como uma pessoa educada, respeitosa,
demandaria grande esforço. Alias, não apenas do presidente, mas também das
hienas que o cerca.
Se
era desviar o foco o que o mito queria, não funcionou, continuamos querendo
saber: a morte do miliciano, pelas mãos da Polícia Militar na Bahia, foi um
assassinato corriqueiro, como outros que a polícia pratica todo dia ou foi
queima de arquivo em benefícios da família dos mandantes do assassinato de
Marielle Franco?
Na
fala do presidente, lá no cercadinho ou o certo seria chiqueirinho, parece que
ele, em mais um ato falho, vestiu a carapuça e ela serviu direitinho, ou estou
errado?
Uma
coisa boa aconteceu a partir do assassinato do Amigo da Família do presidente,
Capitão Adriano, ou seja, o mito demonstrou ser uma pessoa capaz de aprender e
finalmente compreendeu que Direitos humanos não é apenas para humanos direito e
sim para todo e qualquer ser humano, até para assassinos violentos e brutais
como o Capitão de milícia Adriano da Nobrega.
E
é bonito ver que mesmo entre os filhos do presidente, que tentam se mostrar
insensíveis, durões, implacáveis contra bandidos, há o respeito, o carinho, o
vínculo que faz com que o perdão seja possível. E isso ficou claro na revelação
de que o Senador Flávio Bolsonaro visitava o amigo assassino na penitenciária.
Quem
nunca teve um amigo assassino que jogue a primeira pedra. Sou solidário ao
Senador e vendedor de chocolates, Flávio Bolsonaro. Confesso, se tivesse um
amigo bandido também o visitaria na cadeia e até levaria um queijo coalho para
ele, afinal de contas não é porque o cara é assassino condenado e chefiava uma
quadrilha de ex-policiais matadores de aluguel, que não é gente boa e merece
todo o respeito do homem de bem, empresário e cristão, como o Senador Flávio
Bolsonaro, esse político humano, bem intencionado e próspero.
É
nítida a mudança no discurso do presidente. Em abril de 2019 soldados do
exército atiraram no carro de uma família e mataram Evaldo Rosa e Luciano
Macedo e na época o presidente nem reconheceu o crime, disse que foi um acidente,
que o exército não mata ninguém. Agora que a polícia matou seu amigo, ao invés
de capturá-lo e levá-lo a justiça, como faz a polícia de países civilizados, o
presidente percebeu que seu discurso sempre esteve errado e quer uma auditoria
independente para apurar os fatos e, quem sabe, punir os assassinos de farda.
Apesar
de acreditar que o presidente aprendeu alguma coisa com a morte do amigo, pois
acredito que ninguém é irrecuperável, tenho que admitir que talvez o capitão que
talvez ele não tenha se humanizado e esteja apenas sendo ele mesmo, ou seja,
está defendendo o mal feito, como quando defendeu o fim da obrigatoriedade de
cadeirinha para crianças nos carros e a retirada dos radares das rodovias
federais, entre outras coisas que prejudicam a população.
Outra
coisa que me preocupa e que me leva a pensar que talvez ele não tenha aprendido
nada, é essa mania de fazer coisas suspeita e que só idiotas fariam, como por
exemplo manifestar preocupação, antes da hora, com as gravações que podem ser
achadas no telefone do Miliciano amigos da família.
Não
sei o que seria pior, um presidente envolvido com milícias, com crimes de
pistolagem ou um idiota capaz de se pôr como suspeito antes da oposição fazer
isso.
Ficou
parecendo que o presidente até já sabe quais são as gravações que serão achadas
no telefone e no whatsApp do assassino assassinado.
Enquanto
o Presidente e o Governador Witz eram aliados, a polícia civil do Rio de
Janeiro não achou nada que incriminasse as milícias, e o Capitão de Artilharia
nada falava sobre o assunto, mas bastou existir o risco real de que algo fosse descoberto,
para ele pedir a federalização da investigação. Será porque a Polícia Federal
não ousaria encontrar nada, já que é controlada pelo ex-futuro ministro do STF,
Sergio (desmoralizado) Moro ou tem outro motivo?
[Ernande
Valentin do Prado publica no Rua Balsa das 10 às 6tas-feiras]
Esse texto foi adaptado do podcast Música para
pensar.
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