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28 fevereiro 2020

A CARAPUÇA SERVIU DIREITINHO OU TUDO PELA METADE

Bozo presidente, 2020.


Ernande Valentin do Prado


Não um, não dois, mas alguns jornalistas viram no comportamento machista e troglodita do Presidente Capitão de Milícias, quer dizer, do capitão de artilharia, ao insultar e fazer piada com a Jornalista Patrícia Campos Mello, uma tentativa de desviar o foco das atenções do caso da morte do miliciano amigo da família, capitão Adriano. 
Isso dá o que pensar, no entanto, agir como troglodita não exige nenhuma esforça da parte deste elemento, o contrario sim, agir como uma pessoa educada, respeitosa, demandaria grande esforço. Alias, não apenas do presidente, mas também das hienas que o cerca.
Se era desviar o foco o que o mito queria, não funcionou, continuamos querendo saber: a morte do miliciano, pelas mãos da Polícia Militar na Bahia, foi um assassinato corriqueiro, como outros que a polícia pratica todo dia ou foi queima de arquivo em benefícios da família dos mandantes do assassinato de Marielle Franco? 
Na fala do presidente, lá no cercadinho ou o certo seria chiqueirinho, parece que ele, em mais um ato falho, vestiu a carapuça e ela serviu direitinho, ou estou errado?
Uma coisa boa aconteceu a partir do assassinato do Amigo da Família do presidente, Capitão Adriano, ou seja, o mito demonstrou ser uma pessoa capaz de aprender e finalmente compreendeu que Direitos humanos não é apenas para humanos direito e sim para todo e qualquer ser humano, até para assassinos violentos e brutais como o Capitão de milícia Adriano da Nobrega.
E é bonito ver que mesmo entre os filhos do presidente, que tentam se mostrar insensíveis, durões, implacáveis contra bandidos, há o respeito, o carinho, o vínculo que faz com que o perdão seja possível. E isso ficou claro na revelação de que o Senador Flávio Bolsonaro visitava o amigo assassino na penitenciária.
Quem nunca teve um amigo assassino que jogue a primeira pedra. Sou solidário ao Senador e vendedor de chocolates, Flávio Bolsonaro. Confesso, se tivesse um amigo bandido também o visitaria na cadeia e até levaria um queijo coalho para ele, afinal de contas não é porque o cara é assassino condenado e chefiava uma quadrilha de ex-policiais matadores de aluguel, que não é gente boa e merece todo o respeito do homem de bem, empresário e cristão, como o Senador Flávio Bolsonaro, esse político humano, bem intencionado e próspero.
É nítida a mudança no discurso do presidente. Em abril de 2019 soldados do exército atiraram no carro de uma família e mataram Evaldo Rosa e Luciano Macedo e na época o presidente nem reconheceu o crime, disse que foi um acidente, que o exército não mata ninguém. Agora que a polícia matou seu amigo, ao invés de capturá-lo e levá-lo a justiça, como faz a polícia de países civilizados, o presidente percebeu que seu discurso sempre esteve errado e quer uma auditoria independente para apurar os fatos e, quem sabe, punir os assassinos de farda.
Apesar de acreditar que o presidente aprendeu alguma coisa com a morte do amigo, pois acredito que ninguém é irrecuperável, tenho que admitir que talvez o capitão que talvez ele não tenha se humanizado e esteja apenas sendo ele mesmo, ou seja, está defendendo o mal feito, como quando defendeu o fim da obrigatoriedade de cadeirinha para crianças nos carros e a retirada dos radares das rodovias federais, entre outras coisas que prejudicam a população.
Outra coisa que me preocupa e que me leva a pensar que talvez ele não tenha aprendido nada, é essa mania de fazer coisas suspeita e que só idiotas fariam, como por exemplo manifestar preocupação, antes da hora, com as gravações que podem ser achadas no telefone do Miliciano amigos da família.
Não sei o que seria pior, um presidente envolvido com milícias, com crimes de pistolagem ou um idiota capaz de se pôr como suspeito antes da oposição fazer isso.
Ficou parecendo que o presidente até já sabe quais são as gravações que serão achadas no telefone e no whatsApp do assassino assassinado. 
Enquanto o Presidente e o Governador Witz eram aliados, a polícia civil do Rio de Janeiro não achou nada que incriminasse as milícias, e o Capitão de Artilharia nada falava sobre o assunto, mas bastou existir o risco real de que algo fosse descoberto, para ele pedir a federalização da investigação. Será porque a Polícia Federal não ousaria encontrar nada, já que é controlada pelo ex-futuro ministro do STF, Sergio (desmoralizado) Moro ou tem outro motivo?

[Ernande Valentin do Prado publica no Rua Balsa das 10 às 6tas-feiras]


Esse texto foi adaptado do podcast Música para pensar.
Ouça o episódio aqui:

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