Rua Balsa das 10
Bloc de Educação Popular em Saúde com foco em crônicas, contos e poesias. Reflete o dia a dia de trabalhadores do Sistema Único de Saúde e Saúde Pública e Coletiva. (cotidiano, saúdes, vidas, poéticas, sensibilidades, ternuras, raivas, gritos)
15 setembro 2025
LUZES
04 agosto 2025
VISÃO MAIS CLARA
VISÃO MAIS CLARA
Por nada deste mundo ia dizer que
melhor era nem ter árvore. Amava as árvores, amava sua mangueira que nem dava
frutas doces e nunca dava frutas sem bicho ... mas era a árvore do seu quintal!
Acontece que os galhos cresceram e tomaram a
frente da janela de tal modo que a vista era apenas de folhas e galhos, sem por
do sol, sem luz. Até estava sombreando as placas solares que foram pagas com tanto
esforço, a produção já diminuíra consideravelmente. Por fim deu de quebrar as telhas e provocar
goteiras que deixavam tudo mofado. Dolorosamente era preciso podar.
Quem vai subir nesta árvore alta e frondosa com uma serra? Como fazer? Claro
que uma boa alma arrumou quem trabalhasse com isto e deu a solução. A mulher
dei “pitaco”: melhor chamar a firma que podou o abacateiro. Mas na hora do “vamos
ver”, ganhou a boa alma que deu a ideia do grupo experiente em poda.
Tem que alugar uma caçamba pra
colocar os galhos retirados! Tem que ter a serra leve e o rapaz magrinho é quem
vai subir! O forte é responsável pelas cordas de segurança! Contrato feito,
direto ao serviço!
Pra começar a sugestão do lugar de colocar a
caçamba, dada pelo dono da mangueira, não foi aceita, melhor mais acima.
Depois, hora do corte real, o responsável pela amarração do galho não mediu
exatamente o ponto de equiíbrio e o galha caiu sobre a fiação. O outro galho
era grande mais e tombou pesadamente no meio da rua, sorte que não pegou ninguém.
Sem danos maiores, prossegue a poda e o encarregado da orientação de onde
cortar cai da escada. Nesta hora a dona da mangueira já tinha caído fora que o
nervosismo estava-lhe subindo a pressão. E quem contratou o serviço meio
arrependido de não ter escutado a mulher, ficou de dedos cruzados na torcida de
nenhum dano físico nos 3 marmanjos podadores trapalhões.
Mas o resultado ficou claro, aberto e com uma
vista legal, mesmo depois dos prédios que aparecem na frente da janela, E será bonito até outros
mais aparecerem tampando toda vista da enseada... Mas, é apreciar agora!
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer
Escreve às segundas
feiras
14 julho 2025
DIAS DE TESTE DE PACIÊNCIA OU A PACIÊNCIA FOI PELO RALO
DIAS DE TESTE DE PACIÊNCIA
OU A PACIÊNCIA FOI PELO RALO
Marco foi assoviando para o
trabalho, num humor leve e tranquilo. No ponto do ônibus deu de cara com um
colega dos tempos de escola. Não lembrava o nome, mas não quis chamar pelo
apelido e disse apenas um oi! O outro fechou a cara e não responde. Marco deu
uns passo e voltou a assoviar baixinho. O ex-colega amarrou mais a cara: Está
feliz por qual motivo? Marco ficou com a boca em bico mas sem emitir som algum,
surpreso. Sorriu a seguir e ficou
realmente feliz de ver o transporte chegar! Sabe como é, pegar o ônibus logo
ao chegar no ponto é sorte! Bem... ou
azar se o companheiro de viagem era um emburrado.
Quase meia hora de pois, sem
poder nem respirar fundo, precisava pedir passagem para não perder o ponto de
descer. O ex colega na frente, fechando a passagem.. e fingindo não escutar o “dá licença”! Depois de repetir algumas vezes começou a se espremer no pequeno
vão empurrando pra sair. Já não sentia vontade de assoviar... E numa freada, mais brusca parecia um parto, esmigalhou-se e passou na pequena fenda entre os
corpos. Gritou que ia saltar e o motorista não escutou e seguiu. Desceu no
ponto depois da rua do trabalho e teve que caminhar bem rapidamente pra “bater
o ponto" sem atraso. Chegando ofegante ao setor, foi barrado pois estava sem a
camisa de trabalho. Até provar que sim, estava vestido e apenas usava uma blusa
de manga longa por cima... o chefe embarreirou e fez cara feia o suficiente
para que todo setor prestasse atenção nele.
Respirou fundo e seguiu seu dia. Intervalo de
almoço oficialmente era uma pausa, mas por conta dos minutos perdidos na
entrada o chefe pediu servicinho extra. Desta vez respirou fundo muitas vezes,
tinha comido uma fruta cedinho e queria comer sua marmita, mas isto só podia
ser feito no refeitório. Ficou sem almoço. Seu sorriso costumeiro e seu
assovia característico desaparecera. Uma colega desatenta derramou café na sua
prancha de trabalho e sujou seu desenho já em fase final. Chegou a iniciar um
impropério mas viu a coitada tão desolada que acabou dizendo que era nada. Mas claro
que ficou mais 2 horas para corrigir o desenho. Na volta para casa o ônibus
demorou tanto que resolveu andar até a estação de trem e seguir para fazer
conexão com o metro e andar uns 20 minutos até em casa.
Desceu do metro já noite escura e
iniciou-se uma chuvinha rala e fria. Pensou que a bronca da manhã do uniforme
havia valido a pena, ao menos estava menos exposto ao vento frio. Até voltou a
assoviar enquanto cruzava a venida para chegar em casa... mas um motorista
desatento ultrapassou o sinal em velocidade e atropelou o Marcos. Sorte não ter ferido gravemente. Num
teste de paciência ficou a noite toda sentado no pronto socorro esperando ser
examinado. Pela manhã saiu sujo, de braço engessado e sem nenhum bico nos
lábios formando um assovio. Nem passou em casa. Avisou que não ia e seguiu para
o trabalho pra apresentar o desenho ao chefe antes que o chefe perdesse a
paciência. Depois... quem sabe o dispensavam par tirar o dia!
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer
escreve às segundas feiras
07 julho 2025
QUAL O MOTIVO DA SURPRESA?
?
QUAL O MOTIVO DA SURPRESA?
Camila chegou de mansinho, magra, esfaimada, um tanto abatida
e cabisbaixa. Parecia estar implorando para que a aceitassem. Comovia, seu olhar
triste e desamparado. Primeiro aceitou água e comida, ficou encostada no
batente da porta sem entrar. Muda, com grandes olhos desolados, aparentando um
medo que só era menor que sua fome. Claro que mainha ficou rendida a esta situação. E Camila foi
conquistando aos poucos os corações e entrando nos hábitos da casa.
Começou a engordar, a danadinha, e ficar bonita, sestrosa e
a se manifestar. Mainha se encantou cada dia mais.
Um belo dia sumiu a Camila, Todo mundo perturbado com a
situação. Dois dias sumida, sem um ruidinho sequer!
Mais dois dias e lá veio Camila caminhando rebolando e
movendo sinuosamente a cauda... com uma coisa na boca. Passou direto por todos
e foi para cozinha. Saiu e voltou com outra coisa que conseguimos ver melhor. Duas
gatinhas fofinhas e de olhinhos ainda fechados!
Mainha colocou o nome de uma Cefaléia e de outra Cibalena. Quem
conhece a cabeça de mainha... não se surpreende com sua capacidade de nomear
coisas, pessoas e gatos.
Quando criticada, mainha soltou logo que o nome da cachorra
da vizinha era Ipecacuanha, então...
Deixa pra lá! Sabe-se
lá que outros nomes e apelidos podem surgir de uma cabeça
criativa? Talvez Apolinária? Zulca? Briônia? Afinal, mainha lia bulas, Vade Mécum, Matéria Médica de
Homeopatia, livros indianos, maias... e gostava do som do nome e pronto!
Maria Lúcia Futuro
Mühlbauer
Escreve às segundas
feiras
10 março 2025
VIAGEM
VIAGEM
Viajei, viajei sim! E foi
realmente daquelas viagens malucas, que só a cabeça de um ser estranho forja!
Recebi de uma prima um vídeo de um passeio em Bonito, filmado por drone do
alto, o pessoal sentado em boias e descendo um rio rodando pela correnteza.
Beleza, natureza, correnteza... e visto tudo
assim do alto... acionou algum gatilho na imaginação e vi o rio como vasos
sanguíneos da terra com seus glóbulos a girar na corrente da vida do planeta,
com as micro pessoas como as mitocôndrias, com suas capacidades de criar,
mobilizar e transformas energia! Muito loucos estes pensamentos, mas foram
reveladores dos sentimentos guardados em algum canto do meu empoeirado e
desarrumado cérebro (me prometi catalogar e organizar estes departamentos de
informações que aparecem pela vida afora... embora duvide ser capaz disto,
mas...).
Então, entrei nesta viagem imaginando como
seriam as trocas de oxigênio destas células que rodavam nas boias, seria a
sensação de pertencimento (serem realmente natureza) que oxigenaria o entorno e
cada uma receberia sua “cota de clorofila?
Maria Lúcia Futuro
Mühlbauer
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