15 setembro 2025

LUZES

                                

 LUZES

Ao abrir os olhos deu com um monte de luzes brilhando, piscando e se movendo ao seu redor. Fechou os olhos rapidamente. Abriu-os de novo, devagarinho, querendo e não querendo as luzes- e elas estavam lá e estavam dançando, mudando de lugar e de cor, piscando!
Que diabos é isto? estou tendo visões? Morri? Fiquei doido? Saí do meu quarto, saí do meu corpo?
Se apalpou e viu que estava inteiro. Nem teve ideia de se mexer para assuntar se estava inteiro. Na verdade estava com medo de se movimentar. Pensou com seus botões, estabeleceu um diálogo interno questionando sobre o que estava acontecendo, querendo sondar onde estava, e  nem ele nem os botões chegaram a uma conclusão imediata. Não lembrava bem  se estava deitado apreciando as estrelas (ou o que fosse a festa de luzes... Aliás não lembra de nada, bateu um pânico!) -- não lembro nem de quem sou eu! Vix! como é que consigo pensar em português? ou isto que penso está em francês? Namíbio? Tupi-guarani? 
Parou para se perceber: -- Estou deitado olhando para cima, só escuto o som do vento nas folhas... estou no meio de plantas! Será que caí? 
Abriu bem os olhos e apurou os ouvidos. Mas só o som do vento e as luzes estavam ali. Resolveu   se sentar, uma dorzinha no joelho e no quadril, mas sentou. Olhou em volta e estava mesmo no mato. As luzes brilhavam ao seu redor. Foi ficando de pé aos poucos. 
e veio uma voz infantil de não muito longe; --Achei ele! Achei ele!
Chegaram em bando, crianças e adultos falando todos ao mesmo tempo e o agarraram aliviados, eufóricos e confusão. Sentiu uma saudade repentina do vento, e viu outras luzes brancas e forte dirigidas aos seus olhos. as brilhantes e piscantes desvaneceram. A mesma voz infantil chegou do seu colo: -- E aí, vô?  Viu os pirilampos? Acho que você dormiu e não viu nada,  e soltou um riso alto.
Foi o suficiente para causar um imenso alívio e reintegra-lo ao jardim, à Terra, ao mundo da família! Vagalumes, pirilampos...  extra terrestres, estrelas na terra, disco voadores,  lembrou de tudo!

                                                                                                                                                                                                Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

04 agosto 2025

VISÃO MAIS CLARA

 


VISÃO MAIS CLARA

Por nada deste mundo ia dizer que melhor era nem ter árvore. Amava as árvores, amava sua mangueira que nem dava frutas doces e nunca dava frutas sem bicho ... mas era a árvore do seu quintal!

 Acontece que os galhos cresceram e tomaram a frente da janela de tal modo que a vista era apenas de folhas e galhos, sem por do sol, sem luz. Até estava sombreando as placas solares que foram pagas com tanto esforço, a produção já diminuíra consideravelmente.  Por fim deu de quebrar as telhas e provocar goteiras que deixavam tudo mofado. Dolorosamente era preciso podar.

 Quem vai subir nesta árvore alta  e frondosa com uma serra? Como fazer? Claro que uma boa alma arrumou quem trabalhasse com isto e deu a solução. A mulher dei “pitaco”: melhor chamar a firma que podou o abacateiro. Mas na hora do “vamos ver”, ganhou a boa alma que deu a ideia do grupo experiente em poda.

Tem que alugar uma caçamba pra colocar os galhos retirados! Tem que ter a serra leve e o rapaz magrinho é quem vai subir! O forte é responsável pelas cordas de segurança! Contrato feito, direto ao serviço!

 Pra começar a sugestão do lugar de colocar a caçamba, dada pelo dono da mangueira, não foi aceita, melhor mais acima. Depois, hora do corte real, o responsável pela amarração do galho não mediu exatamente o ponto de equiíbrio e o galha caiu sobre a fiação. O outro galho era grande mais e tombou pesadamente no meio da rua, sorte que não pegou ninguém. Sem danos maiores, prossegue a poda e o encarregado da orientação de onde cortar cai da escada. Nesta hora a dona da mangueira já tinha caído fora que o nervosismo estava-lhe subindo a pressão. E quem contratou o serviço meio arrependido de não ter escutado a mulher, ficou de dedos cruzados na torcida de nenhum dano físico nos 3 marmanjos podadores trapalhões.

 Mas o resultado ficou claro, aberto e com uma vista legal, mesmo depois dos prédios que aparecem  na frente da janela, E será bonito até outros mais aparecerem tampando toda vista da enseada... Mas, é apreciar agora!

 

             Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

Escreve às segundas feiras

14 julho 2025

DIAS DE TESTE DE PACIÊNCIA OU A PACIÊNCIA FOI PELO RALO

 

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DIAS DE TESTE DE PACIÊNCIA

 OU A PACIÊNCIA FOI PELO RALO 

Marco foi assoviando para o trabalho, num humor leve e tranquilo. No ponto do ônibus deu de cara com um colega dos tempos de escola. Não lembrava o nome, mas não quis chamar pelo apelido e disse apenas um oi! O outro fechou a cara e não responde. Marco deu uns passo e voltou a assoviar baixinho. O ex-colega amarrou mais a cara: Está feliz por qual motivo? Marco ficou com a boca em bico mas sem emitir som algum, surpreso. Sorriu  a seguir e ficou realmente feliz de ver o transporte chegar! Sabe como é, pegar o ônibus logo ao chegar no ponto é sorte!  Bem... ou azar se o companheiro de viagem era um emburrado.

Quase meia hora de pois, sem poder nem respirar fundo, precisava pedir passagem para não perder o ponto de descer. O ex colega na frente, fechando a passagem.. e fingindo não escutar o “dá licença”! Depois de repetir algumas vezes começou a se espremer no pequeno vão empurrando pra sair. Já não sentia vontade de assoviar... E numa freada, mais brusca parecia um parto, esmigalhou-se e passou na pequena fenda entre os corpos. Gritou que ia saltar e o motorista não escutou e seguiu. Desceu no ponto depois da rua do trabalho e teve que caminhar bem rapidamente pra “bater o ponto" sem atraso. Chegando ofegante ao setor, foi barrado pois estava sem a camisa de trabalho. Até provar que sim, estava vestido e apenas usava uma blusa de manga longa por cima... o chefe embarreirou e fez cara feia o suficiente para que todo setor prestasse atenção nele.

Respirou fundo e seguiu seu dia. Intervalo de almoço oficialmente era uma pausa, mas por conta dos minutos perdidos na entrada o chefe pediu servicinho extra. Desta vez respirou fundo muitas vezes, tinha comido uma fruta cedinho e queria comer sua marmita, mas isto só podia ser feito no refeitório. Ficou sem almoço. Seu sorriso costumeiro e seu assovia característico desaparecera. Uma colega desatenta derramou café na sua prancha de trabalho e sujou seu desenho já em fase final. Chegou a iniciar um impropério mas viu a coitada tão desolada que acabou dizendo que era nada. Mas claro que ficou mais 2 horas para corrigir o desenho. Na volta para casa o ônibus demorou tanto que resolveu andar até a estação de trem e seguir para fazer conexão com o metro e andar uns 20 minutos até em casa.

Desceu do metro já noite escura e iniciou-se uma chuvinha rala e fria. Pensou que a bronca da manhã do uniforme havia valido a pena, ao menos estava menos exposto ao vento frio. Até voltou a assoviar enquanto cruzava a venida para chegar em casa... mas um motorista desatento ultrapassou o sinal em velocidade e atropelou  o Marcos. Sorte não ter ferido gravemente. Num teste de paciência ficou a noite toda sentado no pronto socorro esperando ser examinado. Pela manhã saiu sujo, de braço engessado e sem nenhum bico nos lábios formando um assovio. Nem passou em casa. Avisou que não ia e seguiu para o trabalho pra apresentar o desenho ao chefe antes que o chefe perdesse a paciência. Depois... quem sabe o dispensavam par tirar o dia!


Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

escreve às segundas feiras

07 julho 2025

QUAL O MOTIVO DA SURPRESA?

 

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QUAL O MOTIVO DA SURPRESA?

 

Camila chegou de mansinho, magra, esfaimada, um tanto abatida e cabisbaixa. Parecia estar implorando para que a aceitassem. Comovia, seu olhar triste e desamparado. Primeiro aceitou água e comida, ficou encostada no batente da porta sem entrar. Muda, com grandes olhos desolados, aparentando um medo que só era menor que sua fome. Claro que mainha  ficou rendida a esta situação. E Camila foi conquistando aos poucos os corações e entrando nos hábitos da casa.  

Começou a engordar, a danadinha, e ficar bonita, sestrosa e a se manifestar. Mainha se encantou cada dia mais.

Um belo dia sumiu a Camila, Todo mundo perturbado com a situação. Dois dias sumida, sem um ruidinho sequer!

Mais dois dias e lá veio Camila caminhando rebolando e movendo sinuosamente a cauda... com uma coisa na boca. Passou direto por todos e foi para cozinha. Saiu e voltou com outra coisa que conseguimos ver melhor. Duas gatinhas fofinhas e de olhinhos ainda fechados!

Mainha colocou o nome de uma Cefaléia e de outra Cibalena. Quem conhece a cabeça de mainha... não se surpreende com sua capacidade de nomear coisas, pessoas e gatos.

Quando criticada, mainha soltou logo que o nome da cachorra da vizinha era Ipecacuanha, então...

Deixa pra lá! Sabe-se lá que outros   nomes e apelidos podem surgir de uma cabeça criativa? Talvez Apolinária? Zulca? Briônia? Afinal, mainha  lia bulas, Vade Mécum, Matéria Médica de Homeopatia, livros indianos, maias... e gostava do som do nome e pronto!  

Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

Escreve às segundas feiras

10 março 2025

VIAGEM

 

 

                                                                      (imagem obtida por Drone em Bonito (Coordenação do Passeio feito pela Lélia)

VIAGEM

 

Viajei, viajei sim! E foi realmente daquelas viagens malucas, que só a cabeça de um ser estranho forja! Recebi de uma prima um vídeo de um passeio em Bonito, filmado por drone do alto, o pessoal sentado em boias e descendo um rio rodando pela correnteza.

Beleza, natureza, correnteza... e visto tudo assim do alto... acionou algum gatilho na imaginação e vi o rio como vasos sanguíneos da terra com seus glóbulos a girar na corrente da vida do planeta, com as micro pessoas como as mitocôndrias, com suas capacidades de criar, mobilizar e transformas energia! Muito loucos estes pensamentos, mas foram reveladores dos sentimentos guardados em algum canto do meu empoeirado e desarrumado cérebro (me prometi catalogar e organizar estes departamentos de informações que aparecem pela vida afora... embora duvide ser capaz disto, mas...).

Então, entrei nesta viagem imaginando como seriam as trocas de oxigênio destas células que rodavam nas boias, seria a sensação de pertencimento (serem realmente natureza) que oxigenaria o entorno e cada uma receberia sua “cota de clorofila?

Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

 Escreve às segundas feiras

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