02 abril 2019

ELAS


Maria Amélia Mano

O tempo da imensa delícia é segundo, é instante. O tempo do imenso suplício, do sacrifício é século, é quase eternidade.

Entre o grande sorriso e a grande lágrima, esses pequenos tempos de pequenas alegrias, de encontros ao acaso, de diminutas coincidências, de restinho de por de sol de fim de dia.

Também os pequenos tempos de pequenas rugas na testa, de desencontros, desnecessários desentendimentos, palavras boas esquecidas ou palavras ruins ditas.

Entre os grandes, os pequenos, do melhor e do pior, das dores e prazeres, entre tudo e todos, elas. Sim, não há nada nem ninguém, não há mundo, não há vida sem elas.

Intervalos, pausas, vácuos, elas. Tão esquecidas, imensas, intensas, valiosas, perdidas, achadas, elas.

Sempre elas. As esperas, as esperas.


# Texto de 10 minutos da Oficina de Narrativa da Unidade de Saúde Santíssima Trindade

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