13 abril 2020

ARQUEOLOGIA





ARQUEOLOGIA
Limpando meu computador dei de cara com um trabalho que fizemos no grupo de fisioterapia em agosto de 2010!!! E eu lembrava lá de ter preparado esta atividade? Primeiro ri de não ter memória do fato, depois fiquei imaginando que nosso grupo já tinha uma atenção voltada para assuntos interessantes. O título do trabalho? ATP Conversa sobre ética... E fui lendo e tentando lembrar como se desenrolou, as coisas físicas que fizeram a conversa acontecer, o desenho inicial coletivo, as cores, o risinho frouxo inicial que desenhar levantou... e a impressão que o desenho causou em uma palavra... como o corpo se punha diante deste pequeno desafio, que postura escolhia, e que relações corporais e percepções isto levantava...
Num segundo momento o grupo fez a leitura das nossas posturas, e o quanto isto se parecia com o ser humano não encarcerado na civilização, tribal, mesmo. Passamos a fazer movimentos que o corpo pedia, e foram batidas de pé ritmadas como uma dança “terrena” radical, de raiz mesmo.
Este quadro que experimentamos nos levou a questionar em nós que valores trazíamos para partilhar no grupo e foi interessante a questão mais evidente entre os nós: o não acúmulo. Como assim, depois de uma rodada de desenhos toscos, palavras simples e gestos básicos aparece um tópico de não acúmulo?
Uma rodada de frases e apareceu a sensação de ser caminhante, nômade, de não ter como carregar muita coisa e a partir desta frase dita por um de nós passamos a falar mais especificamente do ter mais do que é preciso, ter mais tarefas do que se dá conta, ter mais bens que o que se utiliza, ter mais o que fazer e ter que do que é saudável... e que a ética tem que começar dentro da nossa vida, falar que é importante partilhar, não usar o próximo como objeto de consumo, de ter olhos para a necessidades alheias passa pelo respeito interno conosco de olhar o que é necessário realmente (desde comida, exercício, descanso e prazeres) até o que é para ser compartilhado, feito em cooperação e também descartado.
Voltou à memória a sensação de familiaridade entre o grupo, uma fraternidade que hoje se mantém na lista de zapzap que ainda nos liga, já que não podemos estar fisicamente juntos nesta quarentena do COVID 19. A vivência de 2010 está atualizada nas reflexões destas duas semanas. E seria muito interessante colocar em prática os resultados da época e de hoje.. ter atenção ao consumo desnecessário, partilhar com quem pode precisar o que temos e é possível dividir, dar um pouco além do que é supérfluo e cultivar nossa fraternidade ampliando nossa rede de alcance, com gratidão e alegria ... que o que valia para seres humanos no passado serve para os humanos de hoje, e ninguém sabe o que nos reserva o amanhã, ‘Bora pisar com pés no chão, dançar em volta dos nosso amores/fogo que a festa é agora!

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