INDO COM O VENTO
Caminhou na areia vagarosamente posto que as pernas já eram
cansadas.
Visitou o mar com os olhos úmidos de saudades, com o corpo
lembrando do vagar das ondas, do balanço e dos inúmeros caldos.
Sentiu mais que tudo a saudade do vento que balançava a pele, e refrescava a alma.
Sentou. Parou de pensar, de lembrar e se deixou embalar pela
brisa ao por do sol.
Praia vazia, ondas calminhas, sol vermelho quase sangue. Ah
que na escola aprendera que Leste é de onde nasce o sol, lado do mar... Sim,
mas com as curvas do litoral, aqui o sol se punha no mar... E o sol foi
baixando no horizonte... ou o horizonte foi se levantando para encobrir o sol. Quedou-se
ensimesmado contemplando as cores, as nuvens, as ondas.
Perdeu-se no momento, perdeu-se no tempo, perdeu-se.
Amanheceu numa maca do Pronto Socorro por ter sido socorrido pelo Salva Vidas, se afogando na espuma das ondas, bem na beirinha.
De nada
disto teve consciência. Só lembrava de ter ido com o vento.


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