14 dezembro 2020

INDO COM O VENTO

 




INDO COM O VENTO

Caminhou na areia vagarosamente posto que as pernas já eram cansadas.

Visitou o mar com os olhos úmidos de saudades, com o corpo lembrando do vagar das ondas, do balanço e dos inúmeros caldos.

Sentiu mais que tudo a saudade do vento que balançava  a pele, e refrescava a alma.

Sentou. Parou de pensar, de lembrar e se deixou embalar pela brisa ao por do sol.

Praia vazia, ondas calminhas, sol vermelho quase sangue. Ah que na escola aprendera que Leste é de onde nasce o sol, lado do mar... Sim, mas com as curvas do litoral, aqui o sol se punha no mar... E o sol foi baixando no horizonte... ou o horizonte foi se levantando para encobrir o sol. Quedou-se ensimesmado contemplando as cores, as nuvens, as ondas.

Perdeu-se no momento, perdeu-se no tempo, perdeu-se.

Amanheceu numa maca do Pronto Socorro por ter sido socorrido pelo Salva Vidas, se afogando na espuma das ondas, bem na beirinha. 

De nada disto teve consciência. Só lembrava de ter ido com o vento.  

Vento na areia 2020

                                                      Maria Lúcia Futueo Mühlbauer

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