Maria Emília Bottini
Em uma noite
fria do mês de junho, sentei-me frente à televisão para fazer nada, pois nada
queria fazer. Estava com o controle da televisão em minhas mãos e comecei a
buscar algo para assistir e me distrair.
Deparei-me com
a animação francesa O Pequeno Príncipe (2015), pensei comigo que já conhecia o
começo, meio e fim dessa história. Por
um segundo pensei que deveria ler um livro. Inclusive certa vez minha amiga do
coração me indicou o Retorno do Pequeno Príncipe, bem já até sabia como essa
história também acontecia.
Conclui que
conhecia muito desse serzinho, mas não resisti e resolvi acompanhar os 110
minutos seguintes e não me arrependi, pois é simplesmente uma graça, algo que
alimenta a alma. Ao final do filme eu não sabia era nada, pois ele inova em sua
forma de narrar.
O Pequeno
Príncipe é uma animação computadorizada realizada por Mark Osborne que baseou
seu trabalho no romance homônimo de 1943, de Antoine de Saint-Exupéry, mas
alerto não
é uma adaptação direta do livro. É o terceiro livro mais vendido do mundo.
Possui cerca de 134 milhões de livros vendidos em todo mundo, 8 Milhões só no
Brasil e foi traduzido em mais de 220 línguas e dialetos. Um clássico da
literatura mundial.
A história narra sobre
uma pequena garotinha, que tem uma mãe obstinada a tornar a vida de sua filha
uma rotina enfadonha, pois está preocupada com o futuro dos estudos e deseja que sua filha passe na seleção de
uma escola muito bem conceituada.
Mãe e filha moram juntas
e estão mudando de casa, o pai lhe envia pelo correio globo de neve de diversas
cidades em que está trabalhando. A mãe trabalha muito e a garotinha também
obestinada passa muitas horas sozinha estudando para a tal seleção.
No Plano de Vida criado
pela mãe, está a rotina que deve ser seguida, a risca, minuto a minuto, e de
tempos em tempos deve ir avançando os marcadores no quadro exposto na parede. A
mãe só não contava com o inesperado, um vizinho idoso que mora na casa colorida
ao lado da sua.
O astuta e brincalhão idoso
tenta se aproximar da garotinha enviando-lhe um aviãozinho de papel que cai sobre
sua mesa de estudos, onde cumpre sua rotina seriamente. Ela fecha a janela e
segue sua vida de números e letras. Um belo dia sua mãe sai para trabalhar e
sua casa é atingida por um forte estrondo causado pela hélice do avião que o
vizinho, atrapalhado, deixa escapar enquanto conserta seu avião.
A curiosidade a
movimenta ao encontro do misterioso barulho.
Muito esperta e percebendo o
estrago na parede de sua casa, chama a polícia e resolve com o vizinho a
confusão, antes mesmo da mãe chegar em casa.
Passa então a atravessar
o buraco no muro, o que se torna sua rotina. O Aviador lhe conta a história do
Pequeno Príncipe com quem cruzou os caminhos quando seu avião caíra no deserto.
O idoso, ao contar a história, faz com que a menina vá construindo suas
aprendizagens; ao finalizar a história, ela
fica muito decepcionada e irritada, pois percebe que nada é tão cor-de-rosa como
imaginava.
O idoso decepcionado e
triste, tem um problema de saúde devido ao impato das emoções e é hospitalizado.
A garotinha se dá conta de suas irritações e à noite embarca no avião do
vizinho rumo ao asteróide, aterissa em um mundo de adultos trabalhadores e
estressados. O Pequeno Príncipe, agora não mais menininho, mas um adulto trabalhador,
um zelador esquecido de seu passado.
O Príncipe, achando que
agia corretamente, entrega a intrusa para a escola e por lá um Professor quer
transformá-la em uma adulta trabalhadora. O Príncipe pensa estar agindo corretamente, mas de repente
recorda o seu passado, resgata a pequenina e juntos invadem o cofre do
Empresário. Lá encontram todas as estrelas que foram capturadas e guardadas em
uma grande caixa de vidro.
A menina liberta as
estrelas quebrando o vidro e elas voltam a iluminar o céu. Juntos voam até o
asteroide do Príncipe, o B 612, que agora está coberto de baobás. A rosa está
morta. Quando o sol nasce o Príncipe volta a ser um menino novamente e a menina
retorna à Terra.
Na manhã seguinte, mãe e
filha vão ao hospital visitar o Aviador, ela se
desculpa e lhe mostra o livro que organizou com as aventuras que o amigo
viveu. A bela animação termina quando juntas estão a observar as estrelas,
ouvindo risos do Príncipe e do Aviador aprontando no céu.
Eu amei esta animação
que me agradou profundamente. Sobretudo pela delicadeza e capacidade que o
cinema tem de ser uma fábrica de sonhos, de magia que nos fazem viajar para um mundo
onde “só se vê bem com o coração, o
essencial é invisível aos olhos”.
[Maria Emília Bottini publica no Rua Balsa das
10 aos Sábados]

Nenhum comentário:
Postar um comentário
O que tem a dizer sobre essa postagem?