12 dezembro 2020

O PEQUENO PRÍNCIPE


 

Maria Emília Bottini


  

Em uma noite fria do mês de junho, sentei-me frente à televisão para fazer nada, pois nada queria fazer. Estava com o controle da televisão em minhas mãos e comecei a buscar algo para assistir e me distrair.

Deparei-me com a animação francesa O Pequeno Príncipe (2015), pensei comigo que já conhecia o começo, meio e fim dessa história.  Por um segundo pensei que deveria ler um livro. Inclusive certa vez minha amiga do coração me indicou o Retorno do Pequeno Príncipe, bem já até sabia como essa história também acontecia.

Conclui que conhecia muito desse serzinho, mas não resisti e resolvi acompanhar os 110 minutos seguintes e não me arrependi, pois é simplesmente uma graça, algo que alimenta a alma. Ao final do filme eu não sabia era nada, pois ele inova em sua forma de narrar.

O Pequeno Príncipe é uma animação computadorizada realizada por Mark Osborne que baseou seu trabalho no romance homônimo de 1943, de Antoine de Saint-Exupéry, mas alerto não é uma adaptação direta do livro. É o terceiro livro mais vendido do mundo. Possui cerca de 134 milhões de livros vendidos em todo mundo, 8 Milhões só no Brasil e foi traduzido em mais de 220 línguas e dialetos. Um clássico da literatura mundial.

A história narra sobre uma pequena garotinha, que tem uma mãe obstinada a tornar a vida de sua filha uma rotina enfadonha, pois está preocupada com o futuro dos estudos  e deseja que sua filha passe na seleção de uma escola muito bem conceituada.

Mãe e filha moram juntas e estão mudando de casa, o pai lhe envia pelo correio globo de neve de diversas cidades em que está trabalhando. A mãe trabalha muito e a garotinha também obestinada passa muitas horas sozinha estudando para a tal seleção.

No Plano de Vida criado pela mãe, está a rotina que deve ser seguida, a risca, minuto a minuto, e de tempos em tempos deve ir avançando os marcadores no quadro exposto na parede. A mãe só não contava com o inesperado, um vizinho idoso que mora na casa colorida ao lado da sua.

O astuta e brincalhão idoso tenta se aproximar da garotinha enviando-lhe um aviãozinho de papel que cai sobre sua mesa de estudos, onde cumpre sua rotina seriamente. Ela fecha a janela e segue sua vida de números e letras. Um belo dia sua mãe sai para trabalhar e sua casa é atingida por um forte estrondo causado pela hélice do avião que o vizinho, atrapalhado, deixa escapar enquanto conserta seu avião.

A curiosidade a movimenta ao encontro do misterioso barulho.  Muito esperta  e percebendo o estrago na parede de sua casa, chama a polícia e resolve com o vizinho a confusão, antes mesmo da mãe chegar em casa.

Passa então a atravessar o buraco no muro, o que se torna sua rotina. O Aviador lhe conta a história do Pequeno Príncipe com quem cruzou os caminhos quando seu avião caíra no deserto. O idoso, ao contar a história, faz com que a menina vá construindo suas aprendizagens; ao finalizar  a história, ela fica muito decepcionada e irritada, pois percebe que nada é tão cor-de-rosa como imaginava.

O idoso decepcionado e triste, tem um problema de saúde devido ao impato das emoções e é hospitalizado. A garotinha se dá conta de suas irritações e à noite embarca no avião do vizinho rumo ao asteróide, aterissa em um mundo de adultos trabalhadores e estressados. O Pequeno Príncipe, agora não mais menininho, mas um adulto trabalhador, um zelador esquecido de seu passado.

O Príncipe, achando que agia corretamente, entrega a intrusa para a escola e por lá um Professor quer transformá-la em uma adulta trabalhadora. O Príncipe pensa  estar agindo corretamente, mas de repente recorda o seu passado, resgata a pequenina e juntos invadem o cofre do Empresário. Lá encontram todas as estrelas que foram capturadas e guardadas em uma grande caixa de vidro.

A menina liberta as estrelas quebrando o vidro e elas voltam a iluminar o céu. Juntos voam até o asteroide do Príncipe, o B 612, que agora está coberto de baobás. A rosa está morta. Quando o sol nasce o Príncipe volta a ser um menino novamente e a menina retorna à Terra.

Na manhã seguinte, mãe e filha vão ao hospital visitar o Aviador, ela se  desculpa e lhe mostra o livro que organizou com as aventuras que o amigo viveu. A bela animação termina quando juntas estão a observar as estrelas, ouvindo risos do Príncipe e do Aviador aprontando no céu.

Eu amei esta animação que me agradou profundamente. Sobretudo pela delicadeza e capacidade que o cinema tem de ser uma fábrica de sonhos, de magia que nos fazem viajar para um mundo onde  “só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

 [Maria Emília Bottini publica no Rua Balsa das 10 aos Sábados] 

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