AÍ FOI MESMO PRO BREJO!
E então o que vai ser? Muito nervoso,
muita pressão...cobrança demais... torcida organizada contra... e a pobre
criatura que começou o projeto inflada de garra, esperança, sonhos e decisão se
vê temendo que a “vaca vá pro brejo” que acabe dando com o “burro n’água” e que
tudo desça por “água abaixo”. De verdade tudo mais ou menos a mesma coisa
afinal!
O projeto de limpar as praias com uma
máquina (que viu alunos do Nordeste desenvolverem) encantou Roberta. Ela e seu
irmão Gilberto programaram uma viagem para encontrar os inventores nas férias.
Um filtro que separa microplásticos da areia, se usado com uma peneira que eles
haviam desenvolvido e mais uma rede de “arrasto” puxada por um barco iam
devolver, à praia onde moravam, a limpeza de anos atrás, quando eram bem
pequenos. Planos ordenados, contatos feitos passagem compradas e autorização
para viajar com o irmão menor de idade... Roberta tinha tudo nas mãos,
inclusive suas economias numa conta e um cartão como “moeda”. Gilberto bem animado
e comprometido, sentia até um frio na barriga com a aproximação da data de partir.
Os pais orgulhosos rezavam para que nenhum imprevisto atrapalhasse os planos
dos jovens. Promessas de apoio incondicional, reserva da poupança como apoio em
caso de crise, Contatos e telefones anotados e revisados... faltavam 3 dias para o embarque.
Faltavam duas horas para o
embarque. Os contatos, que já eram amigos virtuais, a postos para buscar no
aeroporto, as malas despachadas, os bilhetes na mão, beijos, abraços e
recomendações feitas - e devidamente repetidas 3 vezes. Era entrar pelo portão,
acenar e... aventura! Só de imaginar os quase companheiros de projeto e as
férias que se seguiriam estavam felizes aqueles dois irmãos. Considerando que
nem sempre irmãos são parceiros de projeto, companheirismo, cumplicidade e
intimidade pareciam fatores positivos na execução dos planos.
Enfim estavam no ar, janelinha
mostrando nuvens e um mar azul lá embaixo, parecia tão limpo que o projeto
ficou em segundo plano naquele momento. Viagem tranquila, chegada com
acolhimento e todos os acordos indo de “vento em popa” que frases de efeito
marítimas caiam bem. Os irmão ficaram maravilhados com a invenção ao conhecer,
felizes com a intimidade facilmente desenvolvida com os jovens estudantes. Fim
da primeira visita ao laboratório era hora de ir para o hotel. Ao saírem do
prédio armava-se uma chuva mas eles
ignoraram os sinais e resolveram passear um pouco pelos arredores com os jovens
locais.
Claro que a chuva chegou com força
total quando estavam nas periferias da cidade, justo num local de mangue, onde locais
haviam feito algumas experiências. Chuva forte, alagadiço encheu e o carro
ficou atolado. A lagoa da cercania transbordou e os jovens precisaram arregaçar
as calças e empurrar o carro até um local mais alto opara esperar socorro.
Todos de pernas de fora e com os pés na água... Literalmente tinham ido para o
brejo.
Maria Lúcia
Futuro Mühlbauer
Escreve às segundas
feiras

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