08 março 2021

CACHORRA PRAIEIRA

 

 


CACHORRA PRAIEIRA

Quem iria acreditar que uma cachorra surda, gorducha e medrosa se transformaria em uma cachorra de praia?

Com a pandemia, todos se mudaram para a casa do bisavô em Saquarema. Crianças, seus pais e avós, cachorras... todos convivendo no terreiro com os recém chegados galináceos, quelônios e com os répteis da casa. As cachorras eram 2, a labradora bem idosa que acabou morrendo e a dálmata um tanto enlouquecida e completamente surda... e ao que tudo indica com deficiência visual também... Medrosa, mal chegava no portão por onde passavam pessoas, carros, bicicletas, motos e outros cães!

Passaram-se os meses e foi se aproximando do portão e até começou a latir para quem passava quando pressentia transeuntes.

Com a morte da companheira por conta da velhice as crianças passaram a fazer mais festa, levar para passear. Saindo pelas trilhas da redondeza, caminhando pelos matos ralos do “ex campo de aviação”, pela orla da lagoa de Saquarema. A bichinha foi ficando mais esperta e animada e literalmente chorava quando as crianças iam à praia nos dias de semana, que tinha poucos banhistas. Latia desesperada ao ver alguém mergulhar, parecia ter medo de perder as crianças que mergulhavam.

Um belo dia, soltou-se da coleira e chegou na beira da água. No outro dia molhou as patas e correu para longe. Mas em uma semana resolveu acompanhar as crianças e pegar jacaré.  Cachorra surfista da beira de praia é outra coisa!   

 

Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

Escreve às segundas feiras

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