CACHORRA PRAIEIRA
Quem
iria acreditar que uma cachorra surda, gorducha e medrosa se transformaria em
uma cachorra de praia?
Com
a pandemia, todos se mudaram para a casa do bisavô em Saquarema. Crianças, seus
pais e avós, cachorras... todos convivendo no terreiro com os recém chegados
galináceos, quelônios e com os répteis da casa. As cachorras eram 2, a labradora
bem idosa que acabou morrendo e a dálmata um tanto enlouquecida e completamente
surda... e ao que tudo indica com deficiência visual também... Medrosa, mal
chegava no portão por onde passavam pessoas, carros, bicicletas, motos e outros
cães!
Passaram-se
os meses e foi se aproximando do portão e até começou a latir para quem passava
quando pressentia transeuntes.
Com
a morte da companheira por conta da velhice as crianças passaram a fazer mais
festa, levar para passear. Saindo pelas trilhas da redondeza, caminhando pelos
matos ralos do “ex campo de aviação”, pela orla da lagoa de Saquarema. A
bichinha foi ficando mais esperta e animada e literalmente chorava quando as
crianças iam à praia nos dias de semana, que tinha poucos banhistas. Latia
desesperada ao ver alguém mergulhar, parecia ter medo de perder as crianças que
mergulhavam.
Um
belo dia, soltou-se da coleira e chegou na beira da água. No outro dia molhou
as patas e correu para longe. Mas em uma semana resolveu acompanhar as crianças
e pegar jacaré. Cachorra surfista da
beira de praia é outra coisa!
Maria Lúcia Futuro
Mühlbauer
Escreve às segundas
feiras
Amei, contando os dias pra ler outros contos
ResponderExcluirAdorei Maria Lucia, quando tiver mais manda o link.
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