Toda tarde, nas férias, o Vô aparecia com um panelão de
pipoca e um banquinho, sentava debaixo do telheiro de fora , colocava uma
música soando baixinho e olhava ao redor. Em minutos, um bando de crianças da
casa e dos arredores aparecia como se brotasse do chão. Era uma algazarra! O Vô
nem olhava que as mãos estavam imundas do jogo de bola, dos carrinhos e bolas
de gude, das comidinhas de folha e barro. Virava as pipocas numa bacia e
voltava para buscar suco e copos.
Da porta ficava olhando, com um enorme sorriso, as crianças
avançarem na bacia de pipocas. Eram suas férias de verão! Ter aquela confusão
movimentava a vida e dava uma trégua â saudade do trabalho, da mulher, dos
cachorros, do seu tempo antes de ser avô. Ter sobrevivido â viuvez só valia
pelas crianças.
Suco, algazarra e pipoca. Na próxima tarde ia experimentar
milho cozido...
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer
Escreve às segundas feiras
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