MAS TEVE FESTA NO FINAL
Convite para casamento com celebração religiosa num salão e
festa depois da cerimônia.
Roupa alugada para ser madrinha, filho com roupa nova e
sapato um número maior que o pé para poder aproveitar bem. (O menino parecia tomar chá de bambu! Crescia de perder roupa e sapatos a cada 3 meses!)
Nenhuma noção de quem seria o padrinho que formaria seu par, o
pai do menino já havia desaparecido no horizonte da vida deles fazia quase uma
década.
Unhas pintadas, cabelo arrumado, toda na elegância! Drama do
momento: quem ficaria de olho no filho durante a cerimônia? Na última hora
pediu um convite para a mãe.
Seu par, na entrada do salão, já estava no meio dos outros
pares de padrinhos. Chegou meio esbaforida, a cerimonialista a acalmou: “Não
está atrasada, tudo está bem, calma!” Foi então colocada ao lado do homem mais
feio que já havia visto. Não era velho mas tinha uma postura de 90 anos!!!!!
Usava o terno da cor certa dos padrinhos e a gravata era da cor do seu vestido
e uma flor na lapela igual a da sua cintura. Quando ele sorriu, ela até sentiu
medo. Ficou medonho, assustador. Engoliu em seco, tentou sorrir de volta,
repreendeu a si mesma por estar desgostosa com tal par... Mas afinal, eram só
padrinhos – apenas isto!
Durou um pouco o incômodo, mas a conversa do parceiro era
amena e interessante e a primeira impressão passou.
A cerimônia religiosa se arrastou com um sermão de recomendações óbvias e muitas citações
repetidas. Seu olhar vagava buscando a mãe e o filho. Seu par reparou e
questionou o motivo da preocupação. Não encontrar os seus estava começando a
inquietar, O salão estava apinhado, mesas ocupadas, luzes baixas fora do lugar
do casamento em si. E... nada de acabar a cerimônia. Agora era uma juíza a
documentar, falar, ler uma ata ou o que fosse, com nomes e datas. Estava
passando de inquietude para pânico. O par notou e segurou sua mão com carinho,
sussurrou em seu ouvido alguma coisa que nem entendeu. Na verdade sentiu mais o
calor do sussurro que ouviu as palavras, acalmou um pouco.
Por fim, os trâmites religiosos e legais findaram. Aí
começaram as fotos. E nesta hora desejou muito circular para achar avó e neto.
Ai, será que não ia ter festa neste casamento? A hora oportuna para sair circulando e achar onde estavam os seus...
Muito tempo depois, (para ela umas 20 horas depois), padrinhos,
noivos, pais, avós e demais parentes foram liberados pelo fotógrafo. Saiu a
procura... Na verdade nem demorou muito a achar a mesa onde haviam se sentado,
ficava bem atrás de enorme arranjo floral. E quando suspirou de alívio percebeu
que a mãe estava de mãos dadas com o homem feio, num cumprimento. Sentiu-se
envergonhada, ao mesmo tempo confortável e um pouco divertida. Nem sabia o nome
dele que sentou na mesma mesa e passou o resto da noite conversando e rindo,
conquistando a amizade de avó e neto, incluindo a madrinha na conversa
ocasionalmente.
E aquele homem grande, calmo, feio, muito feio mesmo, começou
a ser um amigo.
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer
Escreve às segundas feiras
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