DOS DIAS DE QUARENTENA
No meio do furdunço causado pelo corona virus no mundo todo,
com todas as precauções e recomendações devidas à velocidade com que se espalha,
entramos coletivamente em quarentena. Nós os avós ( do grupo de maior risco),
dois casais de filhos e 3 netos, juntos, numa casa que foi do sogro em Saquarema,
cidade do litoral do rio de Janeiro.
Enquanto eu ainda me sinto incomodada e um pouco culpada de
não estar FAZENDO nada relacionado com a minha profissão para ajudar... a casa
pega fogo. Falo para mim mesma que o meu NÃO FAZER tem valor e entro na força
tarefa de limpeza e alimentação das 9 pessoas em semi reclusão (que a casa tem
um quintal e uma bela varanda onde as
bicicletas e patinetes voam, na rua não passa vivalma a maior parte dos dias e
são poucos os vizinhos por perto). Até dá para ir ver o mar (a praia está
fechada pela prefeita) rapidinho e voltar. Como uma casa com 6 adultos e 3
crianças não tem uma rotina, fazer exercícios físicos é em parte varrer casa e
limpar quintal, lavar a roupa no tanque e correr atrás das crianças.
É um tempo de descobertas, descobertas de vídeos de meditação,
de tempo de rezar (enquanto se corta legume), dos códigos Grabovoi, de amigos
desaparecidos religados via zapzap, e da possibilidade de vivermos com
precariedade de internet! Tudo nos mínimos momentos das folgas no revezamento,
claro. E uma descoberta que me surpreendeu foi de estar gostando de lavar roupa
no tanque... colocar os panos de prato para quarar, torcer usando o cano da
torneira, ver os panos balançarem no varal.
Também os netos fazem inúmeras descobertas. Estes dois
últimos dias foram as descobertas um pouco nojentinhas que vêm me mostrar e eu
fotografo.... pererecas e besouros vivos, formigas e maria farinhas mortas, e
muitas minhocas que acham enquanto preparam um lugar para a horta no quintal
entre um e outro “treinamento físico” proposto pelo pai de dois deles...
circuitos com tocos e varas no quintal...
Passa o tempo e as notícias confirmam que estar isolado pode estar
sendo a grande diferença... sair de cena (muito ajuda quem não atrapalha)
talvez seja o meu desafio de aprendizagem nesta pandemia, mesmo querendo fazer
mais... vendo os colegas não aposentados
no “campo de batalha” e eu parecendo desertora.... mas logo paro e vejo que no
meu tempo ativo não aconteceu nada desta dimensão... então não era para ser e
me recolho à minha forma inversa de ajuda no não fazer com amor.
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

Nenhum comentário:
Postar um comentário
O que tem a dizer sobre essa postagem?