Maria Emília Bottini
Março é um mês
comum no Brasil, o outono começa, comemoramos o dia das mulheres. Por aqui costumamos
dizer que o ano se inicia, afinal, o Carnaval acaba. O mês, no geral, é uma sequência
de dias. Nesse ano está sendo bem diferente, pois o ano, ao invés de começar,
parou. O vírus chamado novo Coronavírus que iniciou na China em dezembro e de
lá, através da movimentação humana, tem se espalhado para o Planeta Terra,
chegando ao Brasil em março e também em outros países.
O Coronavírus trouxe
com ele a ameaça à vida, nosso temor maior agora é real e pode acontecer
conosco e com os que amamos. A morte é notícia diária. O vírus mata, esse é o
recado, que por vezes não queremos entender e aceitar, negamos.
A recomendação da
Organização Mundial de Saúde (OMS) é que se fique em casa e que se saia à rua somente em caso de extrema
necessidade e só os serviços essenciais se mantenham trabalhando, os demais
precisam ser fechados.
Essas exigências
requerem mudanças de comportamento e somos naturalmente reativos as ordens e
isso coloca em risco a vida humana. Agora mais do que nunca todos dependem de
todos. É assustador e tão desafiador, pois não temos essa cultura de nos
importarmos com o outro e de dependermos do outro. Somos individualistas, uma
ilha.
Trancados em nossas
casas (quem pode) sentimos medo, ansiedade, tristeza, preocupação que se avolumam
pela enxurrada de informações pela televisão, WhatsApp, Facebook, redes
sociais, notícias falsas, pronunciamentos contra a ciência e impressa, decretos
que são emitidos e depois revogados, estatísticas que se elevam a cada dia,
propagação da doença diariamente, previsões econômicas desastrosas para todos,
etc... O cenário é assustador e temeroso.
A palavra da vez é
resiliência que é propriedade que alguns corpos apresentam de
retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica.
Traduzindo: é a nossa capacidade de vergar e não quebrar.
Diante do quadro da dor com a moldura do desespero, nossa
reclusão forçada pelas autoridades para proteger nossas vidas e dos demais,
recomendo que encontremos no que gostamos de fazer as forças internas para
seguirmos em frente, seja no livro não lido, em revisitar um filme que amamos
ou assistindo outros, lendo uma poesia, ouvindo músicas, ligando para quem
amamos, desligando celular e televisão, cuidando de suas plantas, tricotando, crochetando,
voltar a conversar, contar histórias, escrever, brincar com os filhos....
Enfim, as opções são muitas. Usem suas mãos para tirar de dentro a angustia e
colocar para fora através da arte.
E neste sentido
divido uma pequena/grande música de Gonzaguinha e que pode nos ajudar a passar
os momentos sombrios que vivenciamos, sem esquecer que tudo passa e que
precisamos continuar acreditando na capacidade que temos de nos reinventar a
cada dia.
“Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será”.
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será”.
A poesia dessa
música é um consolo diante da ameaça que estamos vivendo. Para alguns apenas
uma ameaça da vida e para outros da vida se despedem. É lamentável. Aproveite a
vida, ela é breve e não sabemos quando ela poderá terminar, mas ela acabará.
A esperança no
amanhã deve nos mover mesmo sabendo que será complicado. Podemos contar uns com
os outros? Eu espero que sim, nossa única saída para fazer um amanhã melhor que
hoje e seguindo tendo “Fé na vida, fé no
homem, fé no que virá”. Alimente sua fé
renovando forças para enfrentar o que vier.
[Maria
Emília Bottini publica no Rua Balsa das 10 aos Sábados]

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