14 março 2020

FRASES DE CRIANÇAS


Maria Emília Bottini


Recebo com frequência mensagens em WhatsApp. Algumas me agradam muito, outras nem tanto. Uma amiga me enviou alguns posts de frases de crianças e disse que eu amaria, pois eram uma gracinha. Ela não conseguiu me enviar o endereço para acessar mais dessas riquezas. De fato, ela tinha razão. Amei as frases carregas de inocência e leveza típicas da infância. Ao acaso acabei encontrando no Instagram o grupo Frases de Crianças. Desde então sigo o grupo pela alegria trazem aos meus dias essas pequenas pérolas.
Não sei exatamente como surgiu o grupo e como é coordenado, está disponível no Instagram, mas alguém teve a ideia de registrar frases verbalizadas pelas crianças. Nessa semana li: “Anna, o que é morrer? É algo que ninguém gosta (Anna Lívia, 5 anos)”. Ou mesmo essa “Aquela máquina de pegar ursinho de pelúcia é difícil. Ela é de tentar e não de pegar (Pedro, 5 anos)”. “Mãe, não consigo dormir, estou com medo do escuro. - Como, filha, se deixei a luz do banheiro acesa? - Mas quando fecho o olho, apaga! (Mariana, 6 anos)”.
O fato é que crianças interpretam o mundo e dele vão se apropriando. Minha mãe me contou que minha sobrinha estava mastigando algo, minha mãe não viu o que era e perguntou: “Valentina, o que você tem na boca? Ela respondeu prontamente: - Dentes vó”. São essas e outras frases ditas de forma espontânea que tornam a vida um pouco mais leve e cheia de graça e por vezes nos fazem rir um riso gostoso que acalma a alma.
Pequenos momentos como esses provocam o riso fácil e descontraído. O olhar das crianças tem um que de simplicidade, de literal, de suavidade diante do cotidiano. Para onde vão essas características quando crescemos para nos tornamos adultos tão duros, tão exigentes e tão chatos? Gostaria de saber. Por vezes a vida é menos complexa do que a tornamos, basta ouvir e ver as crianças. Permita-se, elas têm algo a nos dizer e quem sabe possamos aprender.
Dia desses encontrei um casal e sua filhinha de cinco anos. Comentei com eles que não nos víamos tinha um tempo e questionei se estava tudo bem. Ambos responderam que sim, que estavam envolvidos em outros projetos e que a chuva os impediu de sair de casa. Ao olhar para a garotinha que estava no colo da mãe, pergunto se ela está bem também. A mãe respondeu-me que estava tudo bem com sua Alícia, mas a menina se movimentou e rapidamente respondeu: “Eu caí da bicicleta”. Todos rimos. De fato, para ela as coisas não estavam tão bem quanto a mãe acreditava.
Cair da bicicleta representava para ela não estar tão bem, porém durante a vida adulta muitas serão as quedas que enfrentaremos; algumas deixarão suas marcas, outras cicatrizes e de outras nem lembraremos. Quando criança somos ajudados a levantar das quedas de bicicletas, quando adultos após qualquer queda devemos decidir se levantamos ou permanecemos estatelados no chão, sem movimentos. Essas decisões são pessoais e dependem das percepções dos eventos que vão nos ocorrendo enquanto vamos crescendo. E assim as frases das crianças vão sendo ditas e nos encantam pela beleza que exprimem. Quanta delicadeza que por vezes não ouvimos por estarmos muito ocupados fazendo coisas de adultos.



 [Maria Emília Bottini publica no Rua Balsa das 10 aos Sábados] 


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