Maria Emília Bottini
Recebo
com frequência mensagens em WhatsApp. Algumas me agradam muito, outras nem
tanto. Uma amiga me enviou alguns posts de frases de crianças e disse que eu
amaria, pois eram uma gracinha. Ela não conseguiu me enviar o endereço para
acessar mais dessas riquezas. De fato, ela tinha razão. Amei as frases carregas
de inocência e leveza típicas da infância. Ao acaso acabei encontrando no
Instagram o grupo Frases de Crianças.
Desde então sigo o grupo pela alegria trazem aos meus dias essas pequenas
pérolas.
Não
sei exatamente como surgiu o grupo e como é coordenado, está disponível no
Instagram, mas alguém teve a ideia de registrar frases verbalizadas pelas
crianças. Nessa semana li: “Anna, o que é morrer? É algo que ninguém gosta
(Anna Lívia, 5 anos)”. Ou mesmo essa “Aquela máquina de pegar ursinho de
pelúcia é difícil. Ela é de tentar e não de pegar (Pedro, 5 anos)”. “Mãe, não
consigo dormir, estou com medo do escuro. - Como, filha, se deixei a luz do
banheiro acesa? - Mas quando fecho o olho, apaga! (Mariana, 6 anos)”.
O
fato é que crianças interpretam o mundo e dele vão se apropriando. Minha mãe me
contou que minha sobrinha estava mastigando algo, minha mãe não viu o que era e
perguntou: “Valentina, o que você tem na boca? Ela respondeu prontamente: - Dentes
vó”. São essas e outras frases ditas de forma espontânea que tornam a vida um
pouco mais leve e cheia de graça e por vezes nos fazem rir um riso gostoso que
acalma a alma.
Pequenos
momentos como esses provocam o riso fácil e descontraído. O olhar das crianças
tem um que de simplicidade, de literal, de suavidade diante do cotidiano. Para
onde vão essas características quando crescemos para nos tornamos adultos tão
duros, tão exigentes e tão chatos? Gostaria de saber. Por vezes a vida é menos
complexa do que a tornamos, basta ouvir e ver as crianças. Permita-se, elas têm
algo a nos dizer e quem sabe possamos aprender.
Dia
desses encontrei um casal e sua filhinha de cinco anos. Comentei com eles que
não nos víamos tinha um tempo e questionei se estava tudo bem. Ambos
responderam que sim, que estavam envolvidos em outros projetos e que a chuva os
impediu de sair de casa. Ao olhar para a garotinha que estava no colo da mãe,
pergunto se ela está bem também. A mãe respondeu-me que estava tudo bem com sua
Alícia, mas a menina se movimentou e rapidamente respondeu: “Eu caí da
bicicleta”. Todos rimos. De fato, para ela as coisas não estavam tão bem quanto
a mãe acreditava.
Cair
da bicicleta representava para ela não estar tão bem, porém durante a vida
adulta muitas serão as quedas que enfrentaremos; algumas deixarão suas marcas,
outras cicatrizes e de outras nem lembraremos. Quando criança somos ajudados a levantar
das quedas de bicicletas, quando adultos após qualquer queda devemos decidir se
levantamos ou permanecemos estatelados no chão, sem movimentos. Essas decisões são
pessoais e dependem das percepções dos eventos que vão nos ocorrendo enquanto
vamos crescendo. E assim as frases das crianças vão sendo ditas e nos encantam
pela beleza que exprimem. Quanta delicadeza que por vezes não ouvimos por
estarmos muito ocupados fazendo coisas de adultos.
[Maria Emília Bottini publica no Rua Balsa das
10 aos Sábados]

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