Foto de Clarice Muhlbauer
A BOLHA
Num grupo de WhatsApp familiar uma
pessoa escreveu preocupado com o isolamento, com os ambulantes e autônomos com
quem não conseguia trabalhar para conseguir o que comer... e fez um comentário
que a classe média estava vivendo numa bolha, isolado para se proteger, sem
pensar nos desamparados. O tom era de uma forma ou isto ou aquilo, como se
apenas se pudesse encontrar duas opções. E a sensação era que melhor abrir e ir
todo mundo trabalhar, se salvar e salvar a economia. Se olharmos pelo lado de
quem só recebe se trabalhar... dá um medinho danado. Contrapor quem se isola (e
criticar como uma omissão), a quem “quer trabalhar”... Realmente acho que
dividir em 2 grupos e analisar apenas com “2 elementos” ... mesmo falando de
empatia no discurso... deixa a desejar.
Há uma multidão de medos, esperanças
e posturas.., e entre elas a ideia de pensar em “achatamento da curva” para que
não seja necessário ter que fazer escolhas entre pessoas na hora de “tentar
salvar”, de diminuir a sobrecarga das equipes de saúde... Evitando a pletora do
SUS (como se já não existissem), tentar ser um a menos a dar trabalho, se é
possível, não é viver a tal bolha que rola nas discussões, é buscar respeitar e
fazer dentro do seu possível o melhor. Se temos como ajudar a amigos
desempregados... que o façamos, a servidores autônomos que estão no caos?
Certo, paguemos as faxinas e pinturas de parede não realizadas, paguemos o que
pudermos em forma de plataformas... há muitas, desde coordenadas por
universitários a outras por líderes comunitários dentro de favelas ..
impossível estender a mão a todos sem sucumbir e depois não ajudar a nenhum,
mas reconhecer o limite do que podemos fazer e ir trabalhar com cuidados ou
ficar recluso com os mesmos cuidados para quem vem cuidar da nossa
sobrevivência e não reproduzir os julgamentos que trazem oposição e valores de
julgamento pré parados (sem dinamismos, sem o fluir da amorosidade e da
vida)... ah a economia quebra sem produção... quebra sim, vai faltar
coisa? Vai, vamos ter que reinventar produção, economia, relação... vamos, como
será o amanhã? Repetindo artigo anterior: “responda quem puder”! Estaremos
prontos para este “salto no escuro”? Seremos confiantes (fé) e teremos
esperança suficiente (força) para deixar “a vida nos levar”? Será que
teremos em nós, um amor que se entrega?
Melhor é ir treinando né?!!!!
--
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

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