04 maio 2020

A BOLHA


Foto de Clarice Muhlbauer
A BOLHA

Num grupo de WhatsApp familiar uma pessoa escreveu preocupado com o isolamento, com os ambulantes e autônomos com quem não conseguia trabalhar para conseguir o que comer... e fez um comentário que a classe média estava vivendo numa bolha, isolado para se proteger, sem pensar nos desamparados. O tom era de uma forma ou isto ou aquilo, como se apenas se pudesse encontrar duas opções. E a sensação era que melhor abrir e ir todo mundo trabalhar, se salvar e salvar a economia. Se olharmos pelo lado de quem só recebe se trabalhar... dá um medinho danado. Contrapor quem se isola (e criticar como uma omissão), a quem “quer trabalhar”... Realmente acho que dividir em 2 grupos e analisar apenas com “2 elementos” ... mesmo falando de empatia no discurso... deixa a desejar. 
Há uma multidão de medos, esperanças e posturas.., e entre elas a ideia de pensar em “achatamento da curva” para que não seja necessário ter que fazer escolhas entre pessoas na hora de “tentar salvar”, de diminuir a sobrecarga das equipes de saúde... Evitando a pletora do SUS (como se já não existissem), tentar ser um a menos a dar trabalho, se é possível, não é viver a tal bolha que rola nas discussões, é buscar respeitar e fazer dentro do seu possível o melhor. Se temos como ajudar a amigos desempregados... que o façamos, a servidores autônomos que estão no caos? Certo, paguemos as faxinas e pinturas de parede não realizadas, paguemos o que pudermos em forma de plataformas... há muitas, desde coordenadas por universitários a outras por líderes comunitários dentro de favelas .. impossível estender a mão a todos sem sucumbir e depois não ajudar a nenhum, mas reconhecer o limite do que podemos fazer e ir trabalhar com cuidados ou ficar recluso com os mesmos cuidados para quem vem cuidar da nossa sobrevivência e não reproduzir os julgamentos que trazem oposição e valores de julgamento pré parados (sem dinamismos,  sem o fluir da amorosidade e da vida)...   ah a economia quebra sem produção... quebra sim, vai faltar coisa? Vai, vamos ter que reinventar produção, economia, relação... vamos, como será o amanhã? Repetindo artigo anterior: “responda quem puder”! Estaremos prontos para este “salto no escuro”? Seremos confiantes (fé) e teremos esperança suficiente (força) para deixar “a vida nos levar”? Será que teremos em nós, um amor que se entrega?
Melhor é ir treinando né?!!!!
--
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

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