Mandala e foto por Isabel Foly
CATADOR DE SONHOS
Estava encasquetado, ouviu uma conversa de que todo
mundo sonhava e ele nunca lembrou de ter sonhado. Primeiro foi um amigo que foi
ao psicólogo e comentou que “os sonhos são o mapa”... Como assim? Estava perdido
então, sem mapa algum, sem direção nem bússola nem o moderno GPS.. nem um
sonhozinho minúsculo ele lembrava. Não devia sonhar mesmo. Que o Tal Jung
desculpasse que ele não era de sonhar dormindo e nem sabia fazer isto acordado.
Encasquetado com a tal ideia de sonhar, voltou de
uma festa da escola da neta, uma linda festa das lanternas com uma mandala feita
pela professora, isto depois do comentário que era um filtro de sonhos. Bom
talvez desse certo. Pendurou na cabeceira da cama e dormiu tranquilo, mas não
sonhou.
Levou um bom tempo olhando a mandala, e se apegou a
ela, pois era linda, mas não sonhou nadinha, ao menos não lembrou de sonhar.
Veio a pandemia de corona vírus e a ideia de evitar
a circulação do vírus, com um recolhimento e trabalho em casa para todos que
podiam e, inclusive, para poupar que realmente necessitava estar nas ruas
trabalhando. Passou a fazer suas coisas no lar. E num dia recebeu de uma amiga
bem querida o convite de fazer um curso pela internet. Se inscreveu e foi vendo
as aulas devagarinho, devagarinho, pois as coisas eram muito novas para ele que
nunca havia pensado na tal física quântica... um curso de ativismo quântico,
com grande investimento na transformação pessoas e ao mesmo tempo do mundo, com
conceitos beeeem diferentes do que reconhecia... e que falava em escrever os
sonhos, como o Psicólogo falou para o amigo. Deu nó! Como escrever o que nunca
via? Se não lembrava de sonhar, como registrar?
Encasquetado, teve noites de mal dormir, preocupado
em capturar um sonho por menor que fosse. E então, numa tarde recebeu via o tal
zapzap um vídeo de uma “sala de conversa na Biblioteca Máriode Andrade” com Sidarta e Kaká Werá sobre SONHOS. Pirou!
Agora é que ia ficar mais focado ainda
em buscar lembrar dos sonhos, ou então não ia saber da vida, nem sairia
do mundo de baixo. Ma não ia desistir...
Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

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