11 abril 2022

ATORDOADA

 

 




ATORDOADA

 

Acordou com um pouco de dor de cabeça, e isto era muito raro. Mas beom, a vida seguia em frente, Tarefas que precisavam ser cumpridas, crianças para cuidar e a avó para alimentar.

 Seguiu no piloto automático meio aérea, parecendo que nem era ela mesma. Café, banho, uniforme, troca de fraldas da avó, cabelos, mingau da avó,  higiene mínima da avó e levar crianças na escola.

Caminhou com certo cuidado pois parecia ter ar na cabeça, meio zonza, meio nauseada. Ah devia ter sido o tanto de fritura que comeu! Crianças entregues, passada rápida no mercado e volta para ver a avó, fazer comida, limpar a casa que ainda tinha muito dia pela frente.

Pôs as panelas no fogo e cortou legumes, cebola, frango para o almoço e jantar. Tinha que agilizar pois em uma hora já ia buscar criança na escola. Varreu rapidinho a casa e catou as roupas sujas pra colocar numa bacia. Deus Bendito! Que ao menos tinha uma máquina de lavar roupas para ajudar!

Correu para um banho, verificou a avó que dormia diante da TV  e saiu pra pegar os meninos na escola. A dor de cabeça se manteve companheira, ali, firme, marcando presença. Voltou com as crianças pulando pela calçada até chegarem que nem umas galinhas fedorentas e suadas em casa.

Enquanto colocava a comida nos pratos ligou o chuveiro para eles tomarem um banho para almoçar. E a dor de cabeça lá!

 Depois do almoço da avó, correu para ver os deveres antes de permitir TV para os pequenos. Ah, e dizer que quem não trabalha fora não faz nada... 15:30 e estava exausta. Ainda nem havia pendorado a roupa lavada e a avó já estava toda suja precisando ser trocada e quem sabe ser banhada.

 Sentou um momento na cozinha pensando em passar um café e.. acordou atordoada com as crianças chamando e puxando sua roupa , todas 3 falando ao mesmo tempo e ainda mais aos gritos. A cabeça explodia, e ao longe escutou a voz da tia que batia na porta.

 Levantou esticando a blusa e passando a mão nos cabelos para atender a porta. Claro que levou uma reprimenda, como estava com aquela cara de sono no meio da tarde. Nem quatro horas e parecia que tinha bebido, na frente das crianças! Era isto que dava ser moderninha e nem ter um marido em casa todo dia. O cara viajava para trabalhar e a mulher relaxava.

Pensou com sua dor de cabeça, e ela ainda nem viu o estado das fraldas da mãe, aguarde que vem mais.

Com um sorriso forçado (trancava a boca para não dar uma resposta azeda), foi seguindo até o quarto que era onde a avó ficava, desde que teve o derrame, estava preparada para o segundo tempo onde mal trato, falta de cuidado e atenção seriam explorados das mais variadas formas. As crianças escapuliram e foram ligar a TV. Ela já abriu o armário para pegar lençóis limpos, roupas e a fralda para a avó. Quem sabe com a ajuda da tia daria um banho melhor do que o da manhã?

Exclamações envolvendo santos e divindade foram abundantes mas ajuda que era necessária...

Por fim banhada, foi levada para sala e restou a ela e à sua dor de cabeça limpar a cama e a bagunça do quarto, sem a ajuda, visto que era a sua casa, e a visita nem ia participar das tarefas.

 A dor de cabeça, o descaso alheio, o som da TV e a discussão de que programa deveria ser escolhido a deixaram zonza, imersa em uma enorme onde de mal estar e realmente completamente atordoada. E ainda eram 16:30!

Partiu para roupa e ver jantar que a vida segue...

Bom se pudesse ter uma imagem tranquilizante e bela para focar...

 

Maria Lúcia Futuro Mühlbauer

Escreve às segundas feiras

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